segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Teatro Romano

História do Teatro Romano
Há várias histórias de como começou o teatro romano:
  1. Etruscos: A primeira é de que o Senado decidiu incorporar os jogos cênicos da Etrúria. Os Etruscos não tinham um espetáculo à La Gregos, mas incorporavam música e dança. A partir disso, segundo Tito Lívio, os jovens passaram a introduzir textos nelas. Tal iniciou a sátira dramática, conhecida como Satura.
  2. Camponeses: Caso seguirmos Virgílio, começou com os camponeses durante as festas rústicas nos vinhedos. Assim como a lenda dos etruscos, ambas eram voltadas à comédia.
  3. Hierão II de Siracusa: Esta é de que o Senado tenha tido a ideia de incorporar espetáculos semelhantes aos apresentados em Siracusa e na Grécia.
No princípio, o teatro romano era voltado ao cântico, ou seja, o texto falado era cantado em versos jâmbicos – havia peças que tinham versos com a mesma métrica; e outras, diferentes.
O início de uma epidemia fez o Senado trazer artistas etruscos – bailarinos, mimos e músicos – a fim de esconjurá-la. Com isso, chegaram os ludis scaenici; uma série de jogos com representações cênicas. Tais originaram as ludis romani – duravam 77 dias, sendo que 55 eram consagrados ao teatro. Ele não era feito apenas para honrar Júpiter, mas a fim de comemorar o aniversário do fim das Guerras Púnicas. Nesse, os edis - organizadores do espetáculo – encomendaram a Lívio Andrônico, a tradução de uma peça grega, a fim de ser atuada no mesmo espetáculo em que se encontravam gladiadores e artistas circenses. A partir disso, o autor passará a traduzir, adaptar, dirigir e atuar em várias outras peças gregas.
Assim, os escritores começaram a fazer os seus textos, conhecidos como pretextos (tragédias romanas com influências gregas). Alguns, como Plauto, foram influenciados pela Comédia Nova de Menandro; outros resolveram traduzir peças gregas. Era considerada uma vergonha quando alguém era denunciado por “plagiar” aos gregos. Para que isso não acontecesse, passaram a misturar obras famosas transformando-as em uma. Além de que, resolveram readaptar para temas mais romanos.
Após isso, houve uma época de transição em que o teatro voltou-se aos rituais (casamentos, velórios). Paralelo a isso, a comédia foi aperfeiçoada para tratar de temas cotidianos. Considera-se que ela tenha sido influenciada pelas atelanas, originando as comédias de taberna – aventuras do povo das tabernas. Com isso, os personagens já não eram mais gregos, mas romanos.
Na República, era comum a mimese, onde os atores passaram a cantar enquanto faziam os mimos; em outros casos, havia outro ator que cantava as histórias. Esses mimos divertiam o público, pois havia muito improviso – e até cenas imorais e de pornografia. Além disso, se preocupavam com a opinião do público: queriam mostrar o espetacular, o sensacional e o grosseiro. Caso alguma peça fosse desaprovada, o promotor do espetáculo devolvia o subsídio que recebera.
A chegada do império fez com que destacassem os imperadores amantes do teatro, como Nero. Este amava mimo – casou-se com um após deixar Pompéia – tanto é que ele mesmo realizava. Porém, havia aqueles “sanguinários” que gostavam de algo mais realístico: em cenas de morte, queriam presenciá-la, então colocavam os condenados em cena. Também surgiram as comédias para locais privados, e as declamações. Um autor foi Sêneca, próximo a Nero, que inspirou alguns artistas Renascentistas.
Não se pode deixar de citar a decadência do império romano. O governo retirava dinheiro das tropas para o seu próprio luxo. Estas, sem pagamento, tiveram de parar com as conquistas territoriais, causando a diminuição do número de escravos. Sem escravos não havia mão-de-obra na agricultura. Iniciaram-se as invasões bárbaras e o urbanismo. Sem escravos e com a formação das cidades, passaram a buscar melhores condições de vida nelas, o que resultou em desemprego. O imperador, então, resolveu procurar uma solução: instituiu o “Pão e Circo”, ou seja, comida e diversão a todos.
Neste período, há indícios de mulheres atuando. Uma delas foi Teodora, esposa de Constantino (Império Bizantino): era mimo. Mas elas eram muito mal-vistas pela sociedade, tanto elas quanto qualquer ator. Tanto é que em Bizâncio, o Codice Teodosiano estabeleceu que os artistas não tivessem direitos às leis civis e nem à salvação divina, isso até para aquele que se casasse com alguém do ramo artístico.
Apesar disso, com o tempo o público passou a esquecer o teatro. Uma das razões foi a construção dos anfiteatros onde realizavam as lutas de gladiadores (Coliseu). Outro foi a preferência por algo mais simples como o mimo.
A situação do teatro piorou com a chegada do Cristianismo: as representações teatrais foram proibidas. Passaram a perseguir os atores e a fazer longos discursos contra eles, pois acreditavam que estavam realizando atos pagãos e espalhavam imoralidades. Esse pensamento perdurou até o classicismo tardio. Tertuliano foi um que espalhou escrituras contra os espetáculos; além disso, acreditava que eles desviavam a moral do cidadão. Segundo este: “Não há espetáculo sem violenta agitação da alma”. Outro foi Santo Agostinho: acreditava que deveria se evitar a paixão ao teatro: “Qual a razão de sofrer com o que está sendo visto em cena?”, “A dor é honrosa caso acompanhada de compaixão”.
Era o fim do teatro.
Estrutura do Teatro
Até 56 a.C., as peças eram encenadas em palcos feitos de madeira. Após as apresentações, eles eram destruídos – havia uma lei que proibia palcos permanentes. Porém, após a construção do Teatro de Pompeu, com o tempo a situação mudara: as construções passaram a ser de mármore e alvenaria. Tais eram construídas em terrenos planos.
Houve algumas mudanças que se diferenciava da grega:
  1. Com o fim do coro, o local da orquestra ficou para os espectadores.
  2. Para melhor visão do público, o palco abaixara.
  3. Cobertura da cavea – um toldo para proteger da chuva e luz solar.
  4. Poderiam ser construídos tanto em terrenos planos como em colinas.
Ele era dividido nas seguintes partes:
  1. Proscênio: palco onde ocorre a ação dramática
  2. Scenae Frons (Frente do palco): uma dupla linha de colunas
  3. Pórtico detrás do cenário: pátio com colunas localizadas atrás do palco e cenário
  4. Orchestra: a estrutura ficou em formato de semicírculo. Era onde se sentavam as autoridades.
  5. Aditus: corredores laterais em direção à Orchestra
  6. Cavea: local onde se sentavam os espectadores.
  7. Vomitoria: Entradas abobodadas por onde se acessava a cavea.
Principais teatros:
  1. Coliseu: Esse anfiteatro originou uma série de ações: lutas de gladiadores, batalhas navais – era “inundado” para realizá-las devido ao seu excelente sistema de drenagem –, assassinato de animais,...
  2. Teatro de Pompeu: Construído por Pompeu, visando à popularidade, foi o primeiro teatro permanente de Roma. Era composto de um jardim central com estátuas de grandes atores, além de um espaço para encontros do Senado. Localiza-se no Largo di Torre Argentina em Roma.
  3. Teatro de Marcelo: Nome em homenagem a Marco Cláudio Marcelo, sobrinho de Augusto. O teatro fora construído a fim de superar o construído por Pompeu no Campo Márzio. Júlio César foi quem o projetou, mas o fundador é Augusto. Possui 130 metros de comprimento.
Festividades Religiosas
Originadas pelos etruscos, esses festivais duravam em torno de 77 dias. Sendo que 55 deles eram voltados ao teatro. Tais fizeram com que a encenação tivesse um maior número de aceitação do público. Compreendia em:
  1. ludi romani: honra à Tríade Capitolina (Júpiter, Juno e Minerva)
  2. ludi Plebeii: honra a Júpiter
  3. ludi Apolinares: honra a Apolo
  4. ludi Megalenses: honra à Cibele
  5. Ceriale: honra a deusa Cerele
Fábulas
Foi um dos primeiros gêneros teatrais romano. É constituído de:
  1. Fábula Palliata: foi feita a partir dos modelos gregos da comédia nova, ou seja, é uma comédia romana com instrumentos – assunto, personagens, cenário e figurinos – gregos. Era caracterizada pelo uso do pallium (capa grega).
  2. Fábula Togada: originada durante a ascensão da Palliata. É uma ruptura aos modelos gregos a partir de uma romanização daquela arte. Transforma os elementos da comédia nova em latinos. Desenvolveu temas semelhantes às da Palliata – cotidiano –, porém romanizados. Era caracterizada pelo uso da toga. Os papéis masculinos a usavam, exceto os escravos (túnica) e os estrangeiros (à caráter). Como autores, pode-se citar: Titínio, Afrânio, Quíncio Ata e Melisso.
  3. Praetexta: Peça de conteúdo sério que tratava de acontecimentos históricos. Usavam a toga praetexta – traje característico de juízes. Pode-se citar a peça “Octavia”.
  4. Em coturnos: Personagens supostamente gregos, trajados como atores gregos. Usavam coturnos.


Comédia Romana
  1. Atelana: Um gênero do teatro romano. Com a decadência do drama romano, passaram a fazer farsas improvisadas, conhecidas como Atelanas. Era constituída de personagens-tipos, geralmente, mascarados. A sua função era dar um final cômico às tragédias clássicas, a fim de “secar as lágrimas humanas”.
  2. Mimo (Fábula Riciniata): Envolvia canto, acrobacia, dança e imitação. Sendo que as mulheres poderiam atuar. Era feito com improvisos. Ridicularizavam fatos recentes. Era desnecessário o uso de máscaras e perucas.
  3. Pantomima (Fábula Sáltica): Gênero sério. Poderia ser realizada por apenas um ator que cantava as histórias com gestos; ou com um cantando e o outro agindo.
  4. Satura: Era uma mistura de canto, diálogo, pantomima e declamações. O texto poderia ser falado com a mesma métrica ou não.
Grandes autores da Comédia Romana:
  1. Plauto: Inspirou-se na Comédia Nova de Menandro (Grécia). Suas peças eram voltadas aos temas do cotidiano com personagens-tipos. Havia histórias de amor. Sua principal característica era a preocupação com as representações ao invés da ordem, ou seja, existiam cenas independentes no espetáculo. Também usou o cântico. Escreveu 130 peças, sobrevivendo 21, dentre elas: “O Anfitrião”, “Epídico”,... Inspirou Molière com “O Vaso de Ouro” para escrever “O Avarento”; e Shakespeare com “Os Gêmeos” e “O Anfitrião” para “A Comédia dos Erros”.
  2. Terêncio: Foi escravo na infância. Seu envolvimento com as artes surgiu após ter sido comprado em leilão. O seu patrão investiu nele e, após os estudos, o libertou. Retomou o uso das máscaras – há indícios de que elas não existiam no início. Assim como Plauto, inspirou a Commédia dell’Arte. Escrevia sobre as classes baixas da sociedade e suas diversões grosseiras, além de destacar o discurso “refinado” da nobreza (“Eunuco”). Escreveu “Hécira”, “O Formião”,...


Tragédia Romana
Destacam-se os acontecimentos provenientes de cenas heróicas. Apesar disso, era um dos gêneros que causou maior dificuldade de entendimento no público. Este o achava complexo, preferindo aos mimos.
Pode-se citar Sêneca. Este foi um grande filósofo que deixou o horror físico substituísse a poesia e a tragédia grega. Demonstrou toda a crueldade e espírito guerreiro. Com isso, as suas obras são consideradas como violentas, mostrando todas as atrocidades ao público. Inspirou Shakespeare, filosoficamente; e Antonin Artaud pelo aspecto da crueldade. Escreveu: “A felicidade e a tranquilidade da alma”, além de uma versão de “Medéia” e “Édipo”.
Objetos Cênicos
O cenário era rico em objetos. Gostavam de mostrar os seus pertences.
Na tragédia, os personagens usavam máscaras e coturno.
Na comédia, as vestimentas eram de acordo com as características do personagem:
  1. Velhice: Vestuário e peruca branca
  2. Servidão: Túnica e peruca ruiva
  3. Feminilidade: Vestido e/ou casaco cumprido
  4. Juventude: Roupas coloridas e peruca loira
  5. Infidelidade Feminina: Vestes amareladas e desalinhadas
Havia atores que usavam um tipo de maiô colante parecendo como se estivessem nus. Junto a eles, colocavam partes corporais postiças a fim de provocar a risada.
As máscaras eram semelhantes às gregas. Poderiam ser feitas de barro ou gesso. Colocadas no rosto, eram moduladas e pintadas. Há boatos de que no início ela não era utilizada, sendo introduzida posteriormente por Terêncio.
Literatura
  1. Horácio: Escreveu de forma crítica a sociedade romana. Um dos seus lemas era aproveitar o momento sem se preocupar com o futuro.
  2. Virgílio: Escreveu um poema épico que narra a origem mitológica de Roma – “Eneida”.
  3. Lívio Andrônico: Introduziu a poesia épica Este falava muito sobre Tróia, sendo que fez uma adaptação da “Odisséia” de Homero chamando-a de “Odissa”; “O Cavalo de Tróia” também foi uma inspiração – “Ilíada”; e “Hermione” criada a partir de “Andrómaca” de Eurípides.
  4. Ênio: Amigo de homens importantes da Roma, Ênio fez diversas adaptações de obras gregas. Além disso, evitava assuntos controversos, tentando agradar à aristocracia e fazer algo com fins didáticos para transpor suavemente a visão do mundo racional dos romanos. Inspirou Plauto que citou alguns versos em suas obras.
  5. Névio: Lutou na primeira Guerra Púnica. Criador da fábula pretexta, suas obras refletem a fé entusiasmada na República, mas criticando os elementos. Nas comédias, falava das polêmicas locais atacando os políticos e nobres – uma das causas de seu exílio. Escreveu “Romulus”, contando a lendária fundação de Roma.
  6. Pacúcio: neto de Ênio, Pacúcio tentou ser o mais romano possível preocupando-se com a alma humana e os efeitos especiais. Escreveu: “Crises”, “Medo”,...
Arquitetura
Inspirados em modelos gregos e etruscos. Daqueles, inventaram outros modelos, como o Toscano, a partir do Dórico, Jônico e Coríntio. Desses, o uso de arcos e abóbadas.
Construíram:
  1. Teatros: apresentação de peças. Exs.: “Teatro Romano de Marcelo”, “Teatro de Pompeu”
  2. Anfiteatros: Luta de gladiadores. Ex.: “Coliseu”
  3. Circo Romano: corrida de cavalos e quadrigas (carroças). Ex.: “Coliseu”
  4. Aquedutos: passagem de água. Também construíram cisternas de esgoto.
  5. Templos: Semelhantes aos gregos e etruscos. Usavam o estilo Toscano – semelhante ao dórico, mas sem estrias no fuste – e compósito, que era a junção dos jônicos e coríntios. Ex.: “Pantheon”
  6. Pontes, estradas,...
Pintura
  1. Temas: cenas do cotidiano, rostos, pessoas, episódios de batalhas, cidades conquistas,...
  2. Técnicas: afresco em estuque (um tipo de gesso) fresco, encáustica (cera) em paredes ou madeira, pinturas sobre tela e iluminuras.
  3. Pintores: Pompéia, Herculano,...
Escultura
Arte trazida pelo helenismo, a escultura incorporou um pouco do estilo dos gregos, sendo que no início, faziam réplicas das feitas por eles.
Usando materiais de bronze, os romanos valorizavam o rosto sem dar tanta importância ao estilo atlético – o que era primordial ao povo da Grécia Antiga. Assim, procuravam o realismo, ou seja, moldavam do jeito que a pessoa era – outro aspecto diferente dos gregos que idealizavam a beleza humana. Como modelos, usavam os imperadores, chefes político-militares e deuses.


Música
Diferente das demais artes, não há muitos indícios da música na Roma Antiga. Apesar disso, podem-se encontrar obras, até esculturas, com pessoas segurando lira. Há também documentos, encontrados no Egito, do período helenístico; mas partituras nem tanto.
Apesar disso, os músicos tinham certa importância: poderiam ser encontrados nos espetáculos teatrais tocando flauta ou lira. Teoricamente, acredita-se que usavam o tetracorde – que era formado por quatro letras –, tal era semelhante aos gregos.
Desenvolveram-se a entonação de músicas suaves com instrumentos de sopro e lira; musicas ufanistas que exaltavam o poderio militar, com instrumentos de percussão; e a monodia cristã – período de decadência romana – com hinos hebraicos.


Bibliografia:
- BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. 4.ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.
- GRIMAL, Pierre. O teatro antigo. Lisboa: 70, 1986.

- BELLEZA, Newton. Teatro grego e teatro romano. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1961.

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