Edward
Gordon Craig (1872 – 1966)
- Em “O ator e a
supermarionete”, o ator é considerado como se fosse possível de
ser substituído por uma supermarionete.
- Inglês, filho da
atriz Ellen Terry, a maior atriz shakespeariana do séx XX, e de um
arquiteto, que falecera quando Craig tinha 12 anos. Assim, sua mãe
se casou com o famoso ator e diretor Henry Irving. Este montava
clássicos nos grandes teatros. Ellen era de sua companhia.
- Começa a sua
formação na Cia do padrasto. Lá a atuação era convencional e
havia atores principais.
- Craig era um
grande desenhista. Ele fazia as suas representações, os
cenários,... O seu talento para o desenho fora adquirido do seu pai.
- Vive a partir da
venda de gravuras a jornais e publicações de xilogravura.
- Ideia de formar
uma escola para ensinar a verdadeira arte do teatro. Ele não
considerava o naturalismo e o realismo como isso.
- Em Florença, ele
tenta criar uma escola.
- Em 1908, ele vai à
Rússia montar “Hamlet” com Stanislavski.
- Até 1926, Craig é
ativo na profissão. Depois há maior envolvimento em pesquisas
teóricas com fabricação de maquetes.
- Valorizava a
junção da cenografia com a iluminação.
- Uso de biombos nas
peças simbolistas possibilitando, ao manejá-los, trocas de cenário.
- O ator não deve
se mostrar nos espetáculos, mas aquilo que é belo.
- O teatro deve nos
deixar nostálgicos com o que não é deste mundo, ou seja, não pode
ser realista.
- Os atores não
devem ficar presos à reflexão, ou seja, mais organicidade que
raciocínio.
- A luz não era
mais projetada na ribalta, mas no fundo da sala para que fosse
possível a ideia de palco-caixa, ou seja, palco fundo.
“O
ator e a supermarionete” (1907):
- “Para que o
Teatro se salve é preciso destruí-lo; que todos actores e actrizes
morram da peste... Eles tornam a Arte impossível”– Duse
- O ator é um
artista ou apenas uma marionete do diretor e de sua própria mente?
- Tudo o que é
acidental é contrário à arte, ou seja, necessita-se de organização
e não caos.
- Para Craig, a
partir de sua concepção sobre o que é arte, as representações
dadaístas não eram arte. Pode-se falar no ideal de rompimento das
Vanguardas.
- O que o ator
apresenta não é arte, mas manifestação de pensamentos.
- O corpo do homem é
impróprio a servir a uma arte, pois ele é manipulado, escravizado,
pela mente. Ele não é puro, pois depende de outro elemento em suas
criações.
- É contra os
atores executantes, pois não servem à arte em razão de não ter
uma criação própria ao seguir às ideias do diretor. Assim, o ator
pode ser trocado por uma supermarionete.
- Também não
estimava os atores “vedetes” que se mostram ao invés da arte.
- O corpo é incapaz
de fazer aquilo que quer fazer.
- Nova maneira de
atuar: arte simbólica a partir de gestos, uma nova linguagem.
- A arte não é
sublinhar, mas mostrar sem narrações. O artista tem de evocar o
espírito das coisas. Característico do seu estilo simbolista.
- Quanto menos
houver emoção pessoal, melhor será o artista.
- Perfeição:
Ligação entre o espírito e o corpo.
- Concluindo: A arte
teatral não é arte, pois pode ser modificada com a composição.
- As pessoas
aplaudem o executante no teatro, e isso é contra os ideais de Craig.
Deve-se valorizar a arte, pois o ator é uma supermarionete.
- “A arte que
melhor se realiza é a que oculta o artista e se realiza.”
- O artista é
aquele que sente mais do que os que o cercam.
- “É a vida que
deve refletir a imaginação” ao invés da arte refletir a vida.
- O ator perfeito é
aquele que se baseia nas ações físicas. Hoje se pode citar
Grotowski e o Teatro Khabuki.
- “Drama For
Fools”, peça escrita por Craig, é a operação de um teatro para
crianças e tolos, pois eles seriam os únicos que entenderiam. Era
um teatro ambulante carregado por um carro alegórico conhecido como
“The Globe”. Nas peças, eram formadas duas filas: uma aos tolos
e outra aos espertos. O espetáculo era montado por bonecos.
- Um corpo vazio,
sem emoção e vaidade, possibilita que o ator se aprofunde na
interpretação.
- A arte consiste em
fazer algo que temos segurança. O ser humano é o contrário disso,
pois busca a independência.
- O ator é
manipulado por suas emoções, assim como o é seus pensamentos.
- “A emoção
criadora de todas as coisas na origem, torna-se em seguida
destrutiva.” – p90
- “O artista é
aquele que se sujeita a uma regra difícil de seguir, a fim de vos
dispensar uma alegria deliciosa.” – John Ruskin – p90
- “Nada serve para
afastá-lo, para pretender que o ator deixe de ser o porta-palavra de
outro homem, de alimentar com o sopro da vida as obras mortas do
autor.” – p93
- Criar ao invés de
reproduzir.
- O objetivo do
teatro é restabelecer sua arte.
- “É preciso
despejar a cena de todos os seus atores, para a ressuscitar.” –
p104
- “A arte mais
acabada é a que esconde o ofício e esquece o artífice.” – p110
- “Sendo o
artista, por definição, aquele que se apercebe melhor do que o
rodeia, e que exprime tanto mais quanto não viu.” – p113
Craig
+ Stanislavski:
- Só encena
“Hamlet”, no TAM, anos mais tarde, em 1912.
- Pouco vai aos
ensaios, chega atrasado e fala, constantemente, sobre a
supermarionete – que ninguém compreende.
- Não montaram
todas as cenas e nem o Hamlet era presente em todas elas, pois o
espetáculo foi feito a partir da visão do personagem.
- A cena não deve
reproduzir a realidade, mas inspirá-la.
- Um diálogo entre
as ações terrenas e as espirituais.
- Cenário: Relação
de volumes e linhas, claro e escuro, planos vazados – quer
permitiam a entrada e saída do ator em cena.
- Entre 1926 a 1976,
Craig projeta maquetes e nelas estudava tanto o cenário quanto a
iluminação.
- Os biombos usados
eram screens brancos, ou translúcidos, que auxiliavam na iluminação.
- Gosto por volumes
pelos simbolistas e construtivistas.
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