terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Craig

Edward Gordon Craig (1872 – 1966)
- Em “O ator e a supermarionete”, o ator é considerado como se fosse possível de ser substituído por uma supermarionete.
- Inglês, filho da atriz Ellen Terry, a maior atriz shakespeariana do séx XX, e de um arquiteto, que falecera quando Craig tinha 12 anos. Assim, sua mãe se casou com o famoso ator e diretor Henry Irving. Este montava clássicos nos grandes teatros. Ellen era de sua companhia.
- Começa a sua formação na Cia do padrasto. Lá a atuação era convencional e havia atores principais.
- Craig era um grande desenhista. Ele fazia as suas representações, os cenários,... O seu talento para o desenho fora adquirido do seu pai.
- Vive a partir da venda de gravuras a jornais e publicações de xilogravura.
- Ideia de formar uma escola para ensinar a verdadeira arte do teatro. Ele não considerava o naturalismo e o realismo como isso.
- Em Florença, ele tenta criar uma escola.
- Em 1908, ele vai à Rússia montar “Hamlet” com Stanislavski.
- Até 1926, Craig é ativo na profissão. Depois há maior envolvimento em pesquisas teóricas com fabricação de maquetes.
- Valorizava a junção da cenografia com a iluminação.
- Uso de biombos nas peças simbolistas possibilitando, ao manejá-los, trocas de cenário.
- O ator não deve se mostrar nos espetáculos, mas aquilo que é belo.
- O teatro deve nos deixar nostálgicos com o que não é deste mundo, ou seja, não pode ser realista.
- Os atores não devem ficar presos à reflexão, ou seja, mais organicidade que raciocínio.
- A luz não era mais projetada na ribalta, mas no fundo da sala para que fosse possível a ideia de palco-caixa, ou seja, palco fundo.

O ator e a supermarionete” (1907):

- “Para que o Teatro se salve é preciso destruí-lo; que todos actores e actrizes morram da peste... Eles tornam a Arte impossível”– Duse
- O ator é um artista ou apenas uma marionete do diretor e de sua própria mente?
- Tudo o que é acidental é contrário à arte, ou seja, necessita-se de organização e não caos.
- Para Craig, a partir de sua concepção sobre o que é arte, as representações dadaístas não eram arte. Pode-se falar no ideal de rompimento das Vanguardas.
- O que o ator apresenta não é arte, mas manifestação de pensamentos.
- O corpo do homem é impróprio a servir a uma arte, pois ele é manipulado, escravizado, pela mente. Ele não é puro, pois depende de outro elemento em suas criações.
- É contra os atores executantes, pois não servem à arte em razão de não ter uma criação própria ao seguir às ideias do diretor. Assim, o ator pode ser trocado por uma supermarionete.
- Também não estimava os atores “vedetes” que se mostram ao invés da arte.
- O corpo é incapaz de fazer aquilo que quer fazer.
- Nova maneira de atuar: arte simbólica a partir de gestos, uma nova linguagem.
- A arte não é sublinhar, mas mostrar sem narrações. O artista tem de evocar o espírito das coisas. Característico do seu estilo simbolista.
- Quanto menos houver emoção pessoal, melhor será o artista.
- Perfeição: Ligação entre o espírito e o corpo.
- Concluindo: A arte teatral não é arte, pois pode ser modificada com a composição.
- As pessoas aplaudem o executante no teatro, e isso é contra os ideais de Craig. Deve-se valorizar a arte, pois o ator é uma supermarionete.
- “A arte que melhor se realiza é a que oculta o artista e se realiza.”
- O artista é aquele que sente mais do que os que o cercam.
- “É a vida que deve refletir a imaginação” ao invés da arte refletir a vida.
- O ator perfeito é aquele que se baseia nas ações físicas. Hoje se pode citar Grotowski e o Teatro Khabuki.
- “Drama For Fools”, peça escrita por Craig, é a operação de um teatro para crianças e tolos, pois eles seriam os únicos que entenderiam. Era um teatro ambulante carregado por um carro alegórico conhecido como “The Globe”. Nas peças, eram formadas duas filas: uma aos tolos e outra aos espertos. O espetáculo era montado por bonecos.
- Um corpo vazio, sem emoção e vaidade, possibilita que o ator se aprofunde na interpretação.
- A arte consiste em fazer algo que temos segurança. O ser humano é o contrário disso, pois busca a independência.
- O ator é manipulado por suas emoções, assim como o é seus pensamentos.
- “A emoção criadora de todas as coisas na origem, torna-se em seguida destrutiva.” – p90
- “O artista é aquele que se sujeita a uma regra difícil de seguir, a fim de vos dispensar uma alegria deliciosa.” – John Ruskin – p90
- “Nada serve para afastá-lo, para pretender que o ator deixe de ser o porta-palavra de outro homem, de alimentar com o sopro da vida as obras mortas do autor.” – p93
- Criar ao invés de reproduzir.
- O objetivo do teatro é restabelecer sua arte.
- “É preciso despejar a cena de todos os seus atores, para a ressuscitar.” – p104
- “A arte mais acabada é a que esconde o ofício e esquece o artífice.” – p110
- “Sendo o artista, por definição, aquele que se apercebe melhor do que o rodeia, e que exprime tanto mais quanto não viu.” – p113

Craig + Stanislavski:

- Só encena “Hamlet”, no TAM, anos mais tarde, em 1912.
- Pouco vai aos ensaios, chega atrasado e fala, constantemente, sobre a supermarionete – que ninguém compreende.
- Não montaram todas as cenas e nem o Hamlet era presente em todas elas, pois o espetáculo foi feito a partir da visão do personagem.
- A cena não deve reproduzir a realidade, mas inspirá-la.
- Um diálogo entre as ações terrenas e as espirituais.
- Cenário: Relação de volumes e linhas, claro e escuro, planos vazados – quer permitiam a entrada e saída do ator em cena.
- Entre 1926 a 1976, Craig projeta maquetes e nelas estudava tanto o cenário quanto a iluminação.
- Os biombos usados eram screens brancos, ou translúcidos, que auxiliavam na iluminação.
- Gosto por volumes pelos simbolistas e construtivistas.


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