segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Teatro Medieval


Com o fim do Império Romano, houve a ascensão do Cristianismo. Ao tornar-se religião oficial, passou a perseguir todos os atores e trupes que faziam qualquer peça ridicularizando a igreja ou algum membro dela. Assim, era o fim do Teatro Romano.
Passou-se um longo tempo em que aconteceu a Idade das Trevas, tanto para a mentalidade social quanto para as artes. O que não foi nada diferente do teatro que só retornara no século X com a mesma função anterior: doutrinar a fim de que as pessoas conheçam a bíblia.
Mundo:
  1. Baladas de Robin Hood: Séc. XIII.
  2. Karagkiozis (Império Otomano): Desde o séc. XVI pelo Império Bizantino. Teatro de Sombra. Pai grego, bufão, que tenta sobreviver e sempre consegue.
  3. Arte Poética pelo árabe Averróis (1426 – 1198): “Arte Poética” de Aristóteles reencontrada no Monastério e traduzida ao árabe. É mais simplificada.
  4. Puys (Sociedades literárias): Ocorreu em diferentes partes da Europa (Alemanha, Inglaterra, França). Era dentro de universidades que a elite se reunia para ler e escrever textos clássicos que não eram religiosos. Não era aberta ao público.
  5. Basoche (Universitário, corporativo): Feito por estudantes. Menos intelectual que as Puys, mas semelhante a elas. Podem-se encontrar textos religiosos.
  6. Arábia: Teatro de bonecos – poucas manifestações além dessa.
  7. Grécia: será dominada pelo Império Bizantino. Sendo que a Igreja fará divisões. Destruição do passado grego, religioso, impondo o Cristianismo. Erguem Igrejas Ortodoxas Bizantinas. Não há Renascimento.
  8. Séc. XIII: Ocorre a destruição de arquiteturas religiosas se tornando mesquitas. Espetáculos com animais: domesticar, exposição = “Circo Musical”.
  9. Séc. XIX: Grécia se torna independente. Surgimento de textos em romances adaptados para teatros. Reconstrução dos teatros antigos.
  10. Renascimento: É influenciada pela “Arte Poética” de Aristóteles.
  11. Japão: Ocorrerão formas dramáticas que só a elite conhecia: Teatro Nô (mais textual e sonoro), início do Teatro Kabuki (mais movimentado).
  12. China: Há o teatro de sombras e marionetes semelhantes ao Karagkiozis.
  13. América: Poderiam existir formas ritualísticas e festivas de representação. Nos povos incas, maias e astecas não há provas, mas se diz que poderiam ter ocorrido rituais.
  14. Coréia: Há o xamanismo com a personificação de bruxas e incorporações.
1ª Fase:
- Imitadores (Imitam alguém em cerimônias privadas ou públicas), ilusionistas (aparecer fantasmas, desaparecer objetos), lutadores (esgrima – versão sofisticada dos gladiadores – não se preocupavam em matar o adversário, mas de fazer um jogo), mascarados (figuras do carnaval – uma semana de liberdade por ano – figuras cômicas ou satíricas). Alguns desses continuarão.
- Elitista.
- Paga quem tem dinheiro.
2ª Fase:
- Hrosvitha (935-973): Monastério da Saxônia: Abadia Beneditina de Gandersheim (Alemanha). Freira que passa as peças gregas ao latim. Peças não-religiosas apresentadas no convento para as freiras. Teatro romano (Terêncio, Plauto, Horácio e Ovídio). Era da Ordem das Canonesas (votos de castidade e obediência, não de pobreza). Escrevia poesias de qualquer assunto; poemas épicos narrados em 1ª e 3ª pessoas; e obras teatrais. Texto com estruturas clássicas. Glorificava as santas e as mulheres virgens. Usava alegorias (personagens como: felicidade, fé, esperança) e milagres (uma espécie de “Deus Ex-machina”). Escritas e encenadas em latim, ou seja, todos os feitos dentro e para a igreja eram em latim. Glorificava a mulher casta, respeito.
Teatro sacro:
Fase Litúrgica (IX – XI = Siglo Del Oro):
Liturgia = Missa, Bíblia. Histórias bíblicas. Feito para reaproximar o povo da igreja. Feito em latim e apresentado pelos padres. Figurinos da igreja. Primeira adaptação em 933. Dialogado (cantado em latim). Havia os laudes, 2 ou 3 padres que caminham pela rua e os fiéis respondiam; e as Tropes (tropos), encenações e variações desses textos, o tropo era escrito por alguém mais letrado (senso poético e musical). O tropo Quem-Quaeritis pode ser encontrado com quadros; as mulheres, representadas pelos padres, esperavam por Deus. Há o Tropo de Páscoa que é cantado (salmodiado). Surge dentro da igreja. Praticado na França, Alemanha e Espanha. Era encontrado, em 933, na Suíça (Abadia de Beneditinos, em Santo Gallen). A igreja não queria distrair, mas era voltada a fins pedagógicos. O padre queria “salvar” a alma das pessoas.
Fase Semilitúrgica (Séc. XII – XIII = Mistérios e Milagres):
Baseada na Bíblia, mas pode não ser dela. A saída da Igreja (porta, átrio, escadaria, praça). Peças traduzidas do latim ao vernáculo (língua regional do povo). Apresentações que ocorrem nos dias santos. A dramaturgia trata da vida dos santos (hagiografia). Na hagiografia, havia um grupo que estudava a vida dos santos dentro da igreja.
- Mistérios: França, Inglaterra e Alemanha. Sacramentais, religiosos, bíblicos e vida de Jesus e dos santos. Representavam todas as personagens bíblicas, pois as consideravam de igual importância. Ressurreição de Jesus como a mais representada. Nos mistérios não havia um questionamento, mas para enfatizar algo, por isso que não era representado o nascimento de Jesus. Crianças, mulheres, homens e padres (fieis) participavam. Escritos pelos poetas. Todos os milagres eram considerados como mistérios. As mulheres só faziam papel de prostitutas; os escravos, de judeus, criminosos – personagens que ninguém gostaria de interpretar –, os homens, qualquer personagem até mulheres. Qualquer um poderia assistir.
- Milagres: Drama medieval escrito em vernáculo por poetas. Vida dos santos com pequenos elementos cômicos: Noé brigando com a esposa. França e Inglaterra. Desfecho determinado por Nossa Senhora. Plataforma montada no átrio. Os santos deveriam solucionar um problema (desfecho), geralmente era a Nossa Senhora (“Deus Ex-Machina”). Ex.: “Milagre de Notre-Dame, Séc. XV, de Théophile Rutebeuf. A Igreja concordava com os elementos cômicos, pois eles não ridicularizam-na. Qualquer um poderia atuar – quem contribuía mais, dentro das igrejas, poderia fazer figuração. Não era representativo, as pessoas se apresentavam como elas eram. Início da popularização, mas com aspectos populares (entendimento do idioma, atuação do povo, feito na rua). A Igreja não deixava construir personagens para não haver questionamentos, queria alienar. Escritos em latim, após um concurso para escolhas, o escolhido era traduzido em vernáculo.
Fase Laica (Séc. XIV – XVI)
Laico = Não feito pela Igreja. Não é a Igreja que promove, mas a municipalidade. Não eram os padres que atuavam. Os atores eram amadores, mas eram contratados como profissionais pelo líder da Guilda (Associação de profissionais). Cada guilda monta um espetáculo. Grandes Mistério e Moralidades. O Clero dava dinheiro e emprestava o figurino e os objetos a fim de mostrar o seu poderio. O texto era uma adaptação da bíblia com competições entre os povoados. A fim de conseguir prestígio.
- Grandes Mistérios da Paixão: Homens (atores semi-profissionais). Ponto = contra-regra que “sopra o texto”. Ensaios de 4 vezes por semana durante 3 semanas. Os atores não podiam beber e recebiam multa se representavam mal; não podiam sair durante a representação – isso durante os períodos de ensaio e representação. As representações poderiam durar de 4-5 dias.
- Inglaterra – Ciclos (Montagens processionais): Wakefield (Youkshine), no séc. XIV, 3 dias, 32 peças de Corpus Christi ao Natal. Chester com 25 peças. Cada um representa a sua profissão. Começa a existir certo humor. Cenário: Cena móvel na Inglaterra e Espanha. Carros “alegóricos” passando de um lugar ao outro representando uma cena. Público parado. Pontos específicos na cidade. Criação do Mundo ao Segundo Testamento. Carroças: Estrutura de dois andares (camarim embaixo e palco em cima) sobre rodas. Eram empurrados.
- França (Montagem estacionária): Carros postos lado a lado em linha circular – era o povo quem se movimentava. Mons (França – Bélgica – 1501); 67 mansões ou estações, antigo ao novo Testamento; 317 atores com 3 personagens cada. Valenciennes (França) em linha reta. Mestre dos Mágicos = “Diretor” e organizador; até 8 mestres em um mesmo espetáculo, auxiliar as mansões. Roven (França) apresentavam toda a Bíblia (tudo é importante nela).
- Suíça e França (Cena simultânea): com as cenas, uma ao lado da outra. Barca de Caronte (levava as pessoas ao inferno) ficava em frente ao Bispado, Purgatório e Inferno. Paraíso – Nazaré – Igreja – Jerusalém – Pólis – Bispado – Purgatório – Inferno.
- Moralidades: Trupes de artistas ambulantes. Figuras alegóricas com fins morais (resistência às forças das trevas). Obras de inspiração (Moralidades cristãs) religiosa, mas que não retiram seus argumentos das Escrituras Sagradas; mescla o religioso com o secular (valores universais). Conflito de forças = Bem X Mal. “Todomundo”, Inglaterra, fim do século XV. Na tragédia havia duas forças iguais; nas Moralidades; opostas.
- Inquisição (Séc. XIV – XVIII): Ocorreu durante esse período, por isso que na Espanha não havia tantas representações teatrais. Havia a dominação árabe com o catolicismo ferroneso. Em Sevilla, no ano de 2008, encontraram um cemitério de condenados da inquisição, em frente a uma igreja, quando decidiram construir um metrô subterrâneo. Era forte no “sul” da Espanha.
Confrarias (Séc XII até hoje):
Restituições religiosas com vários Jesus e Marias. Fazem desfiles, na Semana Santa, fantasiados de nazarenos (tipo os membros do Ku Klux Klan). É necessário os habitantes participarem de uma. Carregavam um santo na cabeça, sem tocá-los, e levavam eles à uma igreja, após o fim da semana santa, retornavam, cada um, a sua igreja. “Carnaval de Sevilla”. Havia orquestras. Eles não perseguem, mas defendem a ordem eclesiástica. São as ordens que executam na Inquisição. Trabalhavam junto aos bispados. “Catedral de Giralda”.
- O papa é quem autoriza os atores em algum período histórico.
Latifúndios (Séc. XIV – XV):
Grandes feiras onde se representavam as Moralidades.
- Mansões (França, Bélgica e Suíça): Palcos Simultâneos.
- Moralidades: Tablado.
Teatro Profano (Séc. XV):
Ocorre paralelamente ao teatro sacro. Cobra-se ingresso, é profissional (mais produzido; teatro em espaço físico fechado).
- Drama Secular: Festivais profanos ou religiosos. Diversão com temas religiosos de situações cotidianas; apresentados para a plebe de dia e para a corte depois do pôr do sol.
Gêneros Profanos:
Farsas, jograis, mimos e artistas itinerantes. Trovadores. Limite de Calderón de La Barca e Lope de Veja. À noite apresentavam para a corte (iam até lá). Cobravam ingresso. Promovido pela igreja, estado ou aristocracia.
  1. Sermões Burlescos: Monólogos recitados por atores ou jograis. Usavam máscaras e vestes de sacerdotes. Transgressão dos Sermões (recriação com sátira).
  2. Soties (de “sol” – bobo ou parvo/tonto): Cenas representadas por bobos, “parvos”, símbolos de tipos ou de instituições (agricultores, estrangeiros). Sátiras breves e políticas, cômicas e autenticamente construídas. Esquetes cômicas que satirizam algo (o grupo social que representavam). “Volta das farsas, mimos e esquetes improvisadas”. Inspiraram as obras de Moliére e Shakespeare. Enfrenta a monarquia, estado e qualquer assunto. Fazem rir com a crítica política.
  3. Forma Episódica: Cantada sem representação e sem personagem. 2 ou + argumentos (várias histórias). Diversos personagens. Diferentes espações e variações de tempo. Rapsodo, trovador (juglar), menestrel (poeta, cantor, músico, dançarino, palhaço e acrobata). Histórias com possibilidade de música. Canções de Gesta (“Canção de Rolando”: Carlos Magno e seus doze pares. Histórias cantadas.) e romances (“Tristão e Isolda”: apresentado em palácio e tabernas, não era para o “povão”). Saltos temporais e de espaço. Narrativa (volta à escrita – Épico e Lírico –: poesia, romance). Saraus sofisticados. Pode-se haver mais de um menestrel e rapsodo. O menestrel pode assumir a função de líder por dominar mais artes.


Palacianas:


  1. Momos e entremezes: Personificação mitológica do escárnio e da reprovação (D. João foi momo em Évora, 1490). Mascaradas, inspiradas em romances (Figuras desagradáveis que representavam algo: Dragões = força, gigantes, demônios). Escárnio. Foram proibidos em 1548 pela Igreja. Arte feita em palácio considerada como perigosa. A Igreja só não conseguiu proibir as farsas, que fazem as pessoas rirem, e as soties, que são cristãs.
  2. Arremedilhos (bobos da corte): Farsas curtas com texto recitado por um ou dois atores e por bobos que ridicularizavam o aspecto das pessoas – inclusive o próprio nobre.
  3. Soties (tolices): Era cristão. Comédias bufas com intenções político-sociais. Seguem depois da proibição junto às farsas.
Farsas Medievais:
Feitas em tablado. Havia alegorias. Não havia elementos políticos, pois não enfrentavam nada. Representavam os defeitos, as fraquezas humanas, rindo do cotidiano e das pessoas de modo grosseiro. Pode incluir histórias do Clero para fins cômicos. Proibição de elementos religiosos na farsa. Eram populares (simples e moralista), ágeis, burlescos, exagerados. Apresentavam-se nos teatros de feiras. Companhias ambulantes com cobrança de ingresso ou promovidas pela municipalidade ou feirantes. Influenciou a obra de Moliére. Apresentado em praças públicas ou teatros físicos. Ex.: “Farsa do Mestre Pathelin” = advogado hipócrita, lisonjeador.
Autos Medievais:
  1. Fernando Rojas (1470 – 1541): Espanhol. Exs.: “A Celestina” e “Comédia de Calisto e Melibeal.
  2. Gil Vicente (1465 – 1536): Português. 44 peças teatrais remanescentes. Exs.: “Auto da Barca do Inferno” e “Auto da Alma”.


Trupes:


- Teatro de Rua X Paixões (grandes estruturas).
- Mulheres não participavam e nem poderiam opinar, mas auxiliavam fora de cena.
- Contavam-se histórias enquanto atuavam.
- Poder-se-ia usar instrumentos musicais.
- Carros para montar tablados com plano de fundo. Poderia haver cortina. O cenário poderia ser trocado.
- Desvalorização do trabalho do ator até o séc. XVI.
- Sr. Ator = Mestre dos Mágicos = “Diretor”.
- Peças encomendadas para certas ocasiões festivas na corte.
- Uso do improviso.
- Pagamento dado pelo público ou por uma guilda.
- Superproduções financiadas pelo Estado.
Simbolismo Medieval
- Uso de alegorias.
- Bíblia: Mistério do Pão e Vinho=carne e sangue; árvore do Éden=cruz da salvação.
- Arquitetura e escultura: Valorização do abstrato, pois possibilita o homem a definir quais símbolos podem ser vistos a partir de uma matéria concreta. Desvalorização da figura/objeto, pois já denota o que significa.
- O teatro profano iniciou com o fim desse simbolismo e das alegorias.

- O ator, os trajes, as peças e as falas tinham algum significado simbólico.

Nenhum comentário: