quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Dalcroze


Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950) foi professor de música, nascido na cidade de Viena na Áustria. Dalcroze desenvolveu um sistema de treinamento de sensibilização musical, denominado eurritmia, no qual tinha a função de transformar o ritmo em movimentos corporais, uma ginástica rítmica. Jaques-Dalcroze afirmava que toda atividade visual ou auditiva começa com um simples registro de imagens e sons, e as faculdades receptoras do olho e do ouvido vão somente desenvolver uma atividade estética quando o sentido muscular estiver suficientemente desenvolvido para converter sensações registradas em movimento, pretendendo usar movimentos corporais para demonstrar a percepção e compreensão do ritmo, afirmando que o som podia ser percebido por qualquer parte do corpo. Teve como seus maiores discípulos Rudolf Von Laban e Mary Wigman. Ele visava o corpo moderno e alegava que o primeiro instrumento a ser trabalhado era o corpo, pois ele era o fator de ligação entre o interior e o exterior humano. Além disso, inspirou-se em Schopenhauer e Wagner.
Como músico, Dalcroze acreditava que a música era uma forma de expressão da alma. Semelhante a ele era Wagner, um dos grandes da ópera romântica alemã. Pode-se relacionar a Ritmica como corpo animado dotado de movimentos, sendo que todos eles são considerados essenciais. Um exemplo é na infância, onde o corpo recebe as informações por cinestésica: “O aprendizado de um movimento atualiza encadeamentos anteriores e posteriores, e o corpo na sua natureza aprende a relacioná-los”. Wagner definiu o drama musical como uma sinfonia que se torna visível e que se torna em uma ação que pode ser vista. Além disso, destacou a palavra como uma música, em que em cada palavra há uma duração ou pausa constituindo uma partitura a ser interpretada.
Outro a se inspirar em Wagner foi Appia que sempre este envolvido com sua obra. Appia via que os artistas queriam buscar o realismo, mas usando excessos decorativos – uma influência da comédia italiana. Ele dizia que o ator realista era aquele que tinha consciência do seu próprio corpo e de que a cenografia servia como trabalho corporal do ator.
Craig também usava a encenação junto à música. Ele caracterizava o realismo como fotografia da vida. Por isso, acreditava no uso de marionetes ao invés do ator, pois este era, em geral, egocêntrico, o que dificultava na passagem emocional aos espectadores – havia uma maré de sentimentos. Na estrutura cênica, visava um cenário nu, em que só houvesse o ator e os seus movimentos. No máximo, poderia fazer o uso de escadas.
Não se pode esquecer do mestre Stanislavski: “Toda paixão humana, todo estado de ânimo, toda experiência, temos seus tempos-ritmos. Toda imagem característica, interior e exterior, tem o seu próprio tempo-ritmo”. Essa frase explica a importância do tempo-ritmo em ativar a atividade criadora do ator. “A música é movimento e movimento é música”.
Meyerhold acreditava que a emoção denota um tempo-ritmico. Para isso deveria ter o texto do autor, o auxílio do encenador, sendo que este deveria ter um conhecimento a fim de ajudar o ator na movimentação do seu papel. Outro estudo foi o desenvolvimento da Biomecânica, em que visava a retirada de excessos gestuais em cena. “Devemos estudar as leis da música, pois no momento em que pronunciamos uma frase, nos tornamos compositores de uma melodia”. Acreditava que retirando tudo, exceto o ator e os seus movimentos, de cena, o espetáculo continuaria.

Por fim, eis uma frase característica de Dalcroze: “O conhecimento nasce do movimento”.

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