Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950) foi professor de música, nascido
na cidade de Viena na Áustria. Dalcroze desenvolveu um sistema de
treinamento de sensibilização musical, denominado eurritmia, no
qual tinha a função de transformar o ritmo em movimentos corporais,
uma ginástica rítmica. Jaques-Dalcroze afirmava que toda atividade
visual ou auditiva começa com um simples registro de imagens e sons,
e as faculdades receptoras do olho e do ouvido vão somente
desenvolver uma atividade estética quando o sentido muscular estiver
suficientemente desenvolvido para converter sensações registradas
em movimento, pretendendo usar movimentos corporais para demonstrar a
percepção e compreensão do ritmo, afirmando que o som podia ser
percebido por qualquer parte do corpo. Teve como seus maiores
discípulos Rudolf Von Laban e Mary Wigman. Ele visava o corpo
moderno e alegava que o primeiro instrumento a ser trabalhado era o
corpo, pois ele era o fator de ligação entre o interior e o
exterior humano. Além disso, inspirou-se em Schopenhauer e Wagner.
Como músico, Dalcroze acreditava que a música era uma forma de
expressão da alma. Semelhante a ele era Wagner, um dos grandes da
ópera romântica alemã. Pode-se relacionar a Ritmica como corpo
animado dotado de movimentos, sendo que todos eles são considerados
essenciais. Um exemplo é na infância, onde o corpo recebe as
informações por cinestésica: “O aprendizado de um movimento
atualiza encadeamentos anteriores e posteriores, e o corpo na sua
natureza aprende a relacioná-los”. Wagner definiu o drama musical
como uma sinfonia que se torna visível e que se torna em uma ação
que pode ser vista. Além disso, destacou a palavra como uma música,
em que em cada palavra há uma duração ou pausa constituindo uma
partitura a ser interpretada.
Outro a se inspirar em Wagner foi Appia que sempre este envolvido com
sua obra. Appia via que os artistas queriam buscar o realismo, mas
usando excessos decorativos – uma influência da comédia italiana.
Ele dizia que o ator realista era aquele que tinha consciência do
seu próprio corpo e de que a cenografia servia como trabalho
corporal do ator.
Craig também usava a encenação junto à música. Ele caracterizava
o realismo como fotografia da vida. Por isso, acreditava no uso de
marionetes ao invés do ator, pois este era, em geral, egocêntrico,
o que dificultava na passagem emocional aos espectadores – havia
uma maré de sentimentos. Na estrutura cênica, visava um cenário
nu, em que só houvesse o ator e os seus movimentos. No máximo,
poderia fazer o uso de escadas.
Não se pode esquecer do mestre Stanislavski: “Toda paixão humana,
todo estado de ânimo, toda experiência, temos seus tempos-ritmos.
Toda imagem característica, interior e exterior, tem o seu próprio
tempo-ritmo”. Essa frase explica a importância do tempo-ritmo em
ativar a atividade criadora do ator. “A música é movimento e
movimento é música”.
Meyerhold acreditava que a emoção denota um tempo-ritmico. Para
isso deveria ter o texto do autor, o auxílio do encenador, sendo que
este deveria ter um conhecimento a fim de ajudar o ator na
movimentação do seu papel. Outro estudo foi o desenvolvimento da
Biomecânica, em que visava a retirada de excessos gestuais em cena.
“Devemos estudar as leis da música, pois no momento em que
pronunciamos uma frase, nos tornamos compositores de uma melodia”.
Acreditava que retirando tudo, exceto o ator e os seus movimentos, de
cena, o espetáculo continuaria.
Por fim, eis uma frase característica de Dalcroze: “O conhecimento
nasce do movimento”.
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