quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Realismo e Naturalismo



O Realismo iniciou a partir da obra Therese Raquin de Emile Zola. Para o teatro, foi uma época de grandes turnês, ainda mais em razão das descobertas tecnológicas que proporcionaram a isso. Esse movimento tem como característica:
  1. Ambiente localizado precisamente: Os cenários são telões pintados o mais realista possível, e é composto de móveis e objetos reais e proporcionais ao ator. Há cenas em que o ator realmente come em cena – que é o caso do naturalismo, pois no realismo não há tanto a necessidade de ser o real.
  2. Descrição de costumes e fatos contemporâneos: Com o realismo houve maior estudo sobre o comportamento humano, denúncia ao abuso social, discussão entre o indivíduo e a sociedade. Por isso, em razão de se aproximar com a realidade, os temas também são de acontecimentos atuais – o que causa maior aproximação com o público.
  3. Gosto pelo detalhe mínimo: Cada composto em cena é visto sob o olhar crítico de ser real ou, como no caso do realismo, não parecer falso.
  4. Linguagem coloquial, familiar e regional: Também em razão da proximidade com o real – mesmo que na época de transição com o Romantismo existam as grandes divas e outros atores que ainda declamam os seus textos.
  5. Excessiva objetividade na descrição e análise dos personagens: Tal descrição é a do ambiente e a da personalidade dos personagens. Esses artifícios foram muito usados por Stanislavski a fim de construir uma encenação que não pareça falsa.
- Diderot: o autor deveria se basear nas suas experiências vividas.
- Lessing: Temas atuais excluídos da tragédia.
- Influências da filosofia positivista de Conte, ou seja, o homem com visão clínica, e das ciências histórico-sociais e naturais.
- Visão cruel do homem como resultado do cientificismo.

Autores

Como principais autores, pode-se citar:
  1. Tchekhov: O jardim das cerejeiras; A gaivota
  2. Ibsen: Os espectros; Casa de boneca
  3. Tolstoi: A força das trevas; O cadáver vivo
  4. Gógol: O inspetor geral; O jogador

Personalidades Importantes

Como principais nomes, pode-se citar:
  1. Charles Kean: Se destacou como diretor de montagens em Londres. Ele ficou conhecido após sua livre articulação nos textos Shakespearianos.
  2. Sarah Bernhardt: Ganhou fama em Paris. Tanto é que, após interpretar Teodora, foi levada ao Odéon. Ela não representou apenas os românticos, mas também as peças de Racine. Tal característica fez com que ela representasse variados estilos de atuação.
  3. Laube: Se destacou na Alemanha. Ele voltou a sua arte à audição e mente. Para isso, Laube propôs um cenário sem detalhes. Com isso, o público não distraía.
  4. Franz Von Dingelstedt: Era o diretor do Burgtheater e tinha os melhores cenários e elenco.
  5. George II: Foi um grande amante do teatro. Ele mesmo desenhava os cenários e os figurinos. Baaseado nisso e nas leis de Boileau, ele procurava o contrário, ou seja, a assimetria em que o centro do cenário não deveria se assemelhar ao do palco. O seu grupo, conhecido como Meininger, tinha os melhores atores e cenários. Além disso, todos os papéis eram importantes, inclusive os mudos.

Duque de Saxe-Meininger – Jorge II (1826 – 1914)

Ele foi considerado um grande amante do teatro – apesar de ser militar. Tanto é que se casou com uma famosa atriz e elevou a Companhia de Meininger que representava clássicos – como Shakespeare. Primeiramente elas se apresentaram para a Corte, depois passaram para os povos das regiões afastadas. Tais espetáculos tinham um elenco fixo e outro de figurantes – contratados. O Duque desenhava cenários e figurinos; na direção, era tudo do seu jeito. No elenco, não havia grandes atores. Porém, pode-se falar em assistência, como a de Chronegk (1837 – 91). Já que não havia destaque no elenco, pode-se falar em conjunto, ou seja, a escolha dos papéis era variável, não havia hierarquia – hoje representa o papel principal; e no outro, um figurante.
Como não havia ator central, há a valorização da composição cênica, ou seja, é necessário haver uma dinâmica pictórica. Tal dinâmica é destacada pelo uso de inspiração a partir de esculturas e mudanças de planos para com um grande número de atore – sem existir foco central. Essa dinâmica pictórica originou o Naturalismo, em que os atores não “perceberão” que estão sendo vistos pelo público – uso da quarta parece.
O Duque deixou de lado a representação para apresentar coisas anormais: carne crua, cavalos empalados,...
No caso dos ensaios, eles eram numerosos e compostos de vários artifícios sensoriais – audição, visão.
Já os cenários, apesar de existirem, eram menos valorizados que o trabalho do ator – o que proporciona maior dinâmica cênica. Outro caso é a proibição da proximidade de ator com o telão. Caso houvesse, poderia denunciar as “anormalidades” denotando a falta de realidade.
Os acessórios deveriam ser proporcionais ao ator e , se possível, verdadeiros. Para isso, buscavam-se eles em ferros velhos, pois era muito valorizada a reconstrução histórica. E para melhor domínio deles, os atores devem usá-los desde o primeiro ensaio.
Valorizava-se a assimetria cênica, ou seja, caso fosse simétrico, haveria uma vista superficial.
Os atores devem deixar o centro do palco e partir para outras dimensões a fim de usar vários planos.
Em 1866, Chnonegk entra para a companhia como ator cômico. Nela há 70 membros, sedo que há uns 200 contando com os contratados. Ao todo foram montadas 16 peças.
- A inspiração para montar o grupo foi após assistir ao “Mercador de Veneza” de Charles Kean.
- Destaque aos figurinos e jogos físicos.
- “Suscitar a mais intensa ilusão possível da realidade”.
- Não estrelismo.

Stanislavski

- “Actor Studio”: introduziu o método de Stanislavski nos EUA.
- Lênin protegeu Stanislavski do povo pró-prolekult – que eram contra o teatro feito por ele. Já Stalin, ele impôs o método de Stanislavski aos estudantes.
- “Círculo Alexeiev”: grupo de teatro amador de Stanislavski em sua adolescência.
- Atores: Salvini, Rossi, Duse.
- O Teatro de Mali introduziu a formação do ator.
- Ele se inspirou em Messinger após assistir a varias peças suas.
- Os ensaios começavam sem atrasos.
- Os papéis não são criados para um ator, ou seja, pode ser representado por qualquer um.
- Os telões são pintados tridicionalmente com o uso da perspectiva.
- Os cenários eram trocados de um ato ao outro, pois não havia prismas giratórios.
- Stanislavski dizia que deveria haver fidelidade ao dramaturgo. No entando, ele não o fez quando percebeu que faltavam as ações físicas.
- Os contos de Tchekhov tinham o lado perceptível pelo leitor e aquele que precisa ser analisado, ou seja, semelhante a Freud: o oculto e o aparente. Em razão disso, os contos dele são conhecidos como: "Contos Modernos".
- Stanislavski monta as peças de Tchekhov a partir das falas dos personagens ao invés da rubrica.
- Mudança dos textos e da atuação com o uso do subtexto.
- O ator cria o subtexto; e o autor, o texto.
- Realismo externo: texto do diretor que é dado prontamente ao ator.
- Matar o teatro dentro do teatro era o que Stanislavski propunha, ou seja, fugir dos clichês buscando o novo.
- Stanislavski não se restringiu ao realismo e naturalismo, ele fez tudo à sua maneira.
- Teatro simbolista: sugerir ao invés de mostrar; ao contrário do realista que é cheio de objetos.
- O simbolismo busca uma cinestesia, ou seja, a composição dos senidos.
- Ao montar Maeterlinck, ele põe aspectos realistas em cena buscando a realidade.
- Stanislavski ambienta as peças de Tchekhov para sugerir o silêncio, até por meio do som. Além disso, preenche o cenário com móveis e demais objetos.
- O teatro deixa de ser popular para sustentar o artista.
- O público sente-se espelhado em seus espetáculos.
- Chega com a peça pronta para impôr as suas ideias.
- Nicolai Evreinov: Teatralidade > Teatralista: Se opões ao realista, ou seja, mostra que fez teatro > Estilo Brecht.
- Meyerhold também é teatralista.
- Evreinov propôs espetáculos semelhantes aos mais antigos: Commédia dell'Arte, Medieval, Século de Ouro Espanhol,...
- O TAM permite a experimentação em sua escola.
- Ele chega com tudo pronto em razão dos atores não estarem prontos para atuar nessas peças de Tchekhov.
- Dantchenko traz a ideia de memória afetiva antes de Stanislavski.
- Psicotécnica: "Se" mágico + memória afetiva de Stanislavski.
- A ação física é desenvolvida através do ritmo. E isso é dado do exterior ao interior. O que é o inverso da memória emotiva.
- Um teatro mesclado com literatura.
- A busca do místico e da natureza.
- A parceria de Stanislavski com Dantcheko durou 40 anos.
- Deixaram de lado as teorias, como as de Marx.
- As bebidas eram proibidas e teria de haver comprometimento.
- Inicialmente a imprensa duvidava de sua capacidade. Porém ele ergueu vários atores à fama.
- "O Czar Fiodo Iannovich" de Tolstói foi a primeira produção. Foram feitos 74 ensaios. Além disso, a peça passou pela censura, porém era considerada perigosa por mostrar a fraqueza do czar. Já os atores, eles viajaram para diversos locais para tornarem a encenação realista ao entrar naquela época. Assim, o resultado foi satisfatório.
- Após um tempo, as produções foram negadas e o teatro passou a ser vigiado. A situação mudou quando decidiram montar Tchekhov.
- Devido ao sucesso de "A Gaivota", o símbolo da TAM é uma gaivota até hoje.
- Lênin frequentava a TAM, o que começou a ser vista como de esquerda e Dantchenko passa a ser perseguido.
- Tolstói era o escritor mais renomado da Rússa.
- A Primavera de 1900, em Yalda, reuniu vários artistas russos.
- Tchekhov e Górki escrivam para o TAM.
- "The Snow Maiden": Mais de 100 ensaios, porém a peça ficou em prejuízo por causa do excesso de investimento e mau retorno perante ao público.
- Franz Cheptel construiu um novo TAM para Stanislavski. Havia iluminação, palgo giratório,...
- Morosov foi comprando partes do espetáculo, auxiliado por Górki.
- Stanislavski dirigiu a encenação com uma estética cinematográfica em "O Jardim das Cerejeiras" de Tchekhov. O resultado foi um sucesso. Porém, Morosov morreu uns dias depois.
- Com o tempo, Stanislavski e Dantchenko começaram a se estranhar, Meyerhold deixa o TAM e alguns autores falecem = Crise.
- Meyerhold fazia estudos de espetáculos simbolistas. Stanislavski também fez um espaço para que ele ensaiasse.

Stanislavski e o Teatro de Arte de Moscou

O realismo dá importância ao mundo interior dos personagens com foque na intersubjetividade a partir da experiência sensível, emoções e sentimentos pessoais do ator. Com isso, a aproximação com a dramaturgia de Tchekhov proporcionou tal “estudo da alma”.
Tchekhov começou escrevendo farsas e vaudevilles para expor as viadades e tolices humanas. No princípio, ele não era forte no ramo teatral. A situação mudou a partir da peça “Ivanov” que mostrou o típico anti-herói tchekhoviano: ocioso, supérfluo, que não age, prematuramente envelhecido, entediado e desiludido, ou seja, o verdadeiro desenho do homem daquela época. “Ivanov” tem ação centrada no personagem principal. Além disso, apresenta caráter melodramático ao finalizar com uma quase moral.
Outras características a serem destacadas são os intervalos e pausas, detalhes importantes, conversas com tom lírico, diálogo solto, não há sequências lógicas e há situações com revelações psicológicas. Além disso, há o subtexto e a ocultação do sentido – liberdade ao espectador para interpretações próprias. Tchekhov, também, rejeita os velhos hábitos e busca novas formas. Um meio é a partir de diálogos. Outra situação é de que os ocorridos trágicos não eram mostrados em cena, nem comentados, mas a partir da encenação cênica. E não se deve esquecer de citar o uso da quarta parede.
Inicialmente, após o fracasso e os comentários do público sobre “A Gaivota”, Tchekhov começou a duvidar de sua capacidade como escritor e quase desistiu de sua carreira. Até Stanislavski começou a entender e gostar das suas peças aos poucos por causa dos excessivos comentários de Dantchenko.
O meio de trabalho de Stanislavski era diferente, pois ele não analisava o interior dos personagens, ou seja, preocupou-se mais em suas ações externas. Porém, usa os silêncios que denotam a ação interna deles. Para aumentar o efeito, os preenche com músicas e feitos sonoros criando, assim, gradações climáticas.
Os ensaios eram documentados a partir de relatórios feitos, principalmente por Dantchenko. A partir deles, Tchekhov passou a assistir a alguns ensaios. Com isso, surgiram momentos de tensão em razão de inserirem elementos que não estavam presentes em cena.
Apesar disso, “A Gaivota” proporcionou um impulso à companhia de Stanislavski a propor um novo estilo: o Realismo – a partir do realismo interno.
Com os financiamentos o Teatro de Arte de Moscou (TAM) conseguiu pôr eletricidade, uma grande quantia de equipamentos cênicos, iniciar obras e, principalmente, fugir da falência.
A segunda peça de Tchekhov a ser encenada pela TAM foi “Tio Vânia”. Nela os personagens estão presos nas suas ilusões e fraquezas. Além disso, ela era considerada como a peça mais “tchekhoviana” do autor.
Já “As três irmãs” não tinha herói central, mas era um “drama de atmosfera” e de “estado de ânimo” que aproveitava para criticar as condições políticas e sociais da Rússia naquela época.

Andre Antoine

O italiano se destacou pelos cenários. De trabalhador de companhia de gás, passou a fazer teatro amador pelas noites. Mais tarde, Antoine sai do grupo em razão de o diretor não dar a possibilidade de montar peças contemporâneas. Após isso, ele monta o “Thèâtre Libre”. Os seus cenários não tinham telões, pois eram compostos de objetos verdadeiros. Para ensaiar, ele consegue um espaço que ainda tem um café, ou seja, não havia algo próprio.
A primeira peça sua é “Em família”. Como não tinha renda, os móveis em cena eram de seu pai.
Diferente de Antoine, para Stanislavski o Realismo era poético, ou seja, não deveria ser levado tão a fundo da realidade. Tanto é que nem ele e nem o Naturalismo tinham um enredo linear – o que é semelhante do teatro contemporâneo.

Sarah Bernhardt (1844 – 1923)

- Iniciou no Teatro Neoclássico, mas também passa pelos demais estilos de atuação.
- Ao tentar entrar para a comédia, a “Divina Sarah” foi rejeitada por ter mais aptidão pela tragédia.
- Ela era uma pessoa excêntrica: dormia em caixões, era afeiçoada pela morte, foi enfermeira em uma guerra – tanto é que aprendeu bastante ao observar os doentes, como ao representar a morte em “A Dama das Camélias”. Além disso, ela criava inúmeros animais silvestre e sempre aceitava personagens que morriam no final da peça.
- A sua voz era muito conhecida em razão de sua entonação. Por isso, foi conhecida como “Voz de Ouro”. Muitas pessoas iam ao teatro para ouvi-la.
- Devido a um acidente no Brasil em cena, Sarah perdeu uma perna.
- Sarah fazia muitos personagens masculinos – inclusive Hamlet.
- Ela é mais técnica que a Duse, ou seja, vivencia mais as personagens.

Eleonora Duse (1858)

- Italiana, conhecida como Duse, é mais nova que Sarah e tem uma maneira mais moderna de atuar. Duse se formou numa companhia familiar, a Vigerano, que é de seu avô – que representava Commédia dell’Arte.
- Estréia aos 7 anos com a farsa de 1 ato: “A Pequena Laureta”.
- Aos 14 anos, ela representa Julieta em Verona.
- Com a falência da família, Duse vai para outra companhia, a de Brunetti, e atua, inicialmente, em papéis secundários.
- Ela se destacou por dar ênfase em frases sem importância, ou seja, procurou mais em “ser” do que declamar os textos.
- Representou papéis juvenis e amorosos, como Ofélia.
- Duse representou Therese Raquin de Emile Zola – este dizia que não se deveria ver o personagem, mas a pessoa em cena.
- Ela é o ideal para o teatro de Stanislavski.
- Para Duse, o ator deve observar com cuidado cada parte do texto, cada fala.

Relação entre Duse e Sarah Bernhard:

- A diferença de atuação entre ambas proporciona maiores oportunidades de peças para o público comparar.
- Esse teatro naturalista existe junto ao simbolista.
- O Romantismo proporciona o surgimento dos demais "ismos".
- Théâtre de l"Ouvre: Monta espetáculos simbolistas franceses.
- Duse não chamava a atenção como atriz, por isso o público não era tão chegado em sua atuação. Eles estavam acostumados com as grandes divas. Apesar disso, ela iniciou um novo estilo de atuação.
- Duse se inspirou nas peças de Sarah, porém as montou da sua maneira.
- O dramaturgo era mais importante, mas ele acabava perdendo o poder quando surgiam as grandes divas.

O Realismo Socialista na Rússia

- Peças como plataformas de leitura para elevar a consciência intelectual das massas, mas sem excessos e com cunho realista.
- Todas as obras devem ser informativas e propagandistas a fim de desenvolver a formação espiritual e educacional no conceito socialista.
- É mais importante o resultado que a teoria.
- Havia mais de 650 teatros espalhados pela URSS, e neles se apresentavam, anualmente, vinte peças.


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