quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Melodrama


O Melodrama (Melo = Música; Drama = Ação; Ação Musicada) ficou inicialmente conhecido através da ópera, ou seja, com o uso da música na arte. Posteriormente chegou a dramaturgia com a obra “Coeline” (1800) de Pixérécourt.
O teatro vinha de uma época pós Revolução Francesa em que o país ainda estava se recompondo. Além disso, era do governo de Napoleão Bonaparte. Este instituiu uma lei em que apenas autorizava a Comedie Française + Ópera + Ódeon de realizar peças envolvendo os temas neoclássicos; as demais, conhecidas como secundárias, estavam proibidas. Além disso, era proibido o ator se pronunciar sobre o que estava se passando no Estado. Para isso, Napoleão não teve grandes problemas, pois os grupos clássicos não falavam diretamente sobre os problemas atuais; e os secundários, geralmente eram gêneros que não envolviam a voz, mas o uso corporal do ator.
Tal valorização do ator não mudou muito com o início do Melodrama. Além do mais, era visível o reconhecimento do público com as peças, pois aproveitaram para demonstrar todos os costumes da época e os problemas sociais que o povo estava passando: abandonos familiares,... Com isso, ele tendia à moral política, social e religiosa a fim de que o espectador saísse com alguma lição do teatro.
Como temática, sempre havia alguma perseguição seguida de um reconhecimento. Por isso é que diziam que no primeiro ato havia o amor; no seguinte, o problema; e por fim, a virtude em que o vilão saía castigado e os heróis felizes. Além do mais, sempre havia a busca da surpresa na fábula, ou seja, o teatro era um artifício usado sem ter necessidade de causa e efeito, mas algo não-verossímil e usando uma trama forçada. Pode-se destacar uma descoberta no fim de cada cena.
Os personagens não tinham um aprofundamento psicológico, mas eram distintos entre o bem e o mal. Tal fator fez com que esse gênero ficasse conhecido como “Bipolar”. Eis os caracteres:
  1. Vilão: era o personagem que movimentava a trama. A sua aparência era pálida com olhos cinzentos e cabelos negros. Geralmente tinha um monólogo com voltado para o público em que revelava todos os seus planos contra os mocinhos. Ele nunca se arrependia no final – o que é diferente do Melodrama Romântico. Geralmente são ateus, estrangeiros e ricos – uma “ferroada” contra a classe burguesa.
  2. Personagens Cômicos: Eram considerados essenciais para as peças não irem às ruínas, por isso sempre estavam presentes. Era normal terem nomes apelativos, fugirem do amor e fazer comentários maldosos.
  3. Pai nobre: É aquele que lança maldições. Mais tarde será interpretado pelos eclesiásticos.
  4. Personagem Misterioso: Sabe de tudo e sempre salva o herói no momento certo.
  5. Animais: Frequentemente usavam animais em cena, verdadeiros ou não. Pode-se citar o Dogdrama na Inglaterra e as Fábulas de LaFontaine.
Na parte técnica, ele era composto por 3 atos – diferente do drama regular que tinha 5 atos e não seguida nenhuma poética, mas valorizava-se o trabalho criativo do dramaturgo. O título era outro elemento importante, pois ele destacava sobre o que a peça falaria. Por essa razão, era natural encontrar título falando sobre as características de um personagem, o local da ação ou sobre o conflito.
Sobre o espaço cênico, ele foi financiado pelo governo – assim como o salário dos atores – por essa razão eram imensos edifícios. Os mais conhecidos eram: “Ambigu”, “Ambigu – Comique” e “Porte de Saint-Martin”. Eles eram construídos no “Boulevard do Templo”, ou seja, como o próprio nome diz era em grandes avenidas – o que ajudava a divulgar esse tipo de teatro comercial. Além do mais, havia uma maior valorização do cenógrafo.
Já no século XIX, o Melodrama chega aos EUA e se extende ao cinema. Até hoje, o país é conhecido como o que mais sabe utilizar esse estilo.
Tal uso de trilha sonora já possibilita o público a identificar os personagens. Em razão disso, pode ser considerado como Teatro Total, de Wagner, ou seja, uma associação a diferentes tipos de artes – texto + música + dança. Por isso, pode-se citar o sobressalto da música e compará-la com uma possibilidade de catarsis por meio dela.
Outra comparação à tragédia grega é a parte da declamação a partir do monólogo e a música e a dança com o coro. Pode-se falar, além da música, em peripécia e reconhecimento. Já catarsis não pode ser completamente considerada, pois não há um horror e piedade em relação aos personagens. No máximo, o público pode torcer por algum deles.
Em relação ao amor, é mais valorizado o amor paternal.
Precisa-se de um título qualquer. Um bobo, mulher inocente e perseguida, um cavaleiro e um animal aprisionado como personagens. Um balé e quadro geral no Ato I; prisão e romance no Ato II; e lutar no III precedido de um castigo do vilão. Com a ideia de moralidade, desposar a mocinha e detestar o crime e os tiranos.” – Tratado do Melodrama (1817).

Lágrimas para o jovem e entusiasmo para a punição do monstro” – Sentimentos do público.

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