O
Melodrama (Melo = Música; Drama = Ação; Ação Musicada) ficou
inicialmente conhecido através da ópera, ou seja, com o uso da
música na arte. Posteriormente chegou a dramaturgia com a obra
“Coeline” (1800) de Pixérécourt.
O
teatro vinha de uma época pós Revolução Francesa em que o país
ainda estava se recompondo. Além disso, era do governo de Napoleão
Bonaparte. Este instituiu uma lei em que apenas autorizava a Comedie
Française + Ópera + Ódeon de realizar peças envolvendo os temas
neoclássicos; as demais, conhecidas como secundárias, estavam
proibidas. Além disso, era proibido o ator se pronunciar sobre o que
estava se passando no Estado. Para isso, Napoleão não teve grandes
problemas, pois os grupos clássicos não falavam diretamente sobre
os problemas atuais; e os secundários, geralmente eram gêneros que
não envolviam a voz, mas o uso corporal do ator.
Tal
valorização do ator não mudou muito com o início do Melodrama.
Além do mais, era visível o reconhecimento do público com as
peças, pois aproveitaram para demonstrar todos os costumes da época
e os problemas sociais que o povo estava passando: abandonos
familiares,... Com isso, ele tendia à moral política, social e
religiosa a fim de que o espectador saísse com alguma lição do
teatro.
Como
temática, sempre havia alguma perseguição seguida de um
reconhecimento. Por isso é que diziam que no primeiro ato havia o
amor; no seguinte, o problema; e por fim, a virtude em que o vilão
saía castigado e os heróis felizes. Além do mais, sempre havia a
busca da surpresa na fábula, ou seja, o teatro era um artifício
usado sem ter necessidade de causa e efeito, mas algo não-verossímil
e usando uma trama forçada. Pode-se destacar uma descoberta no fim
de cada cena.
Os
personagens não tinham um aprofundamento psicológico, mas eram
distintos entre o bem e o mal. Tal fator fez com que esse gênero
ficasse conhecido como “Bipolar”. Eis os caracteres:
-
Vilão: era o personagem que movimentava a trama. A sua aparência era pálida com olhos cinzentos e cabelos negros. Geralmente tinha um monólogo com voltado para o público em que revelava todos os seus planos contra os mocinhos. Ele nunca se arrependia no final – o que é diferente do Melodrama Romântico. Geralmente são ateus, estrangeiros e ricos – uma “ferroada” contra a classe burguesa.
-
Personagens Cômicos: Eram considerados essenciais para as peças não irem às ruínas, por isso sempre estavam presentes. Era normal terem nomes apelativos, fugirem do amor e fazer comentários maldosos.
-
Pai nobre: É aquele que lança maldições. Mais tarde será interpretado pelos eclesiásticos.
-
Personagem Misterioso: Sabe de tudo e sempre salva o herói no momento certo.
-
Animais: Frequentemente usavam animais em cena, verdadeiros ou não. Pode-se citar o Dogdrama na Inglaterra e as Fábulas de LaFontaine.
Na
parte técnica, ele era composto por 3 atos – diferente do drama
regular que tinha 5 atos e não seguida nenhuma poética, mas
valorizava-se o trabalho criativo do dramaturgo. O título era outro
elemento importante, pois ele destacava sobre o que a peça falaria.
Por essa razão, era natural encontrar título falando sobre as
características de um personagem, o local da ação ou sobre o
conflito.
Sobre
o espaço cênico, ele foi financiado pelo governo – assim como o
salário dos atores – por essa razão eram imensos edifícios. Os
mais conhecidos eram: “Ambigu”, “Ambigu – Comique” e “Porte
de Saint-Martin”. Eles eram construídos no “Boulevard do
Templo”, ou seja, como o próprio nome diz era em grandes avenidas
– o que ajudava a divulgar esse tipo de teatro comercial. Além do
mais, havia uma maior valorização do cenógrafo.
Já
no século XIX, o Melodrama chega aos EUA e se extende ao cinema. Até
hoje, o país é conhecido como o que mais sabe utilizar esse estilo.
Tal
uso de trilha sonora já possibilita o público a identificar os
personagens. Em razão disso, pode ser considerado como Teatro Total,
de Wagner, ou seja, uma associação a diferentes tipos de artes –
texto + música + dança. Por isso, pode-se citar o sobressalto da
música e compará-la com uma possibilidade de catarsis por meio
dela.
Outra
comparação à tragédia grega é a parte da declamação a partir
do monólogo e a música e a dança com o coro. Pode-se falar, além
da música, em peripécia e reconhecimento. Já catarsis não pode
ser completamente considerada, pois não há um horror e piedade em
relação aos personagens. No máximo, o público pode torcer por
algum deles.
Em
relação ao amor, é mais valorizado o amor paternal.
“Precisa-se
de um título qualquer. Um bobo, mulher inocente e perseguida, um
cavaleiro e um animal aprisionado como personagens. Um balé e quadro
geral no Ato I; prisão e romance no Ato II; e lutar no III precedido
de um castigo do vilão. Com a ideia
de moralidade, desposar a mocinha e detestar o crime e os tiranos.”
– Tratado do Melodrama (1817).
“Lágrimas
para o jovem e entusiasmo para a punição do monstro” –
Sentimentos do público.
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