O Realismo iniciou
a partir da obra Therese Raquin de Emile Zola. Para o teatro, foi uma
época de grandes turnês, ainda mais em razão das descobertas
tecnológicas que proporcionaram a isso. Esse movimento tem como
característica:
-
Ambiente
localizado precisamente: Os cenários são telões pintados o mais
realista possível, e é composto de móveis e objetos reais e
proporcionais ao ator. Há cenas em que o ator realmente come em
cena – que é o caso do naturalismo, pois no realismo não há
tanto a necessidade de ser o real.
-
Descrição
de costumes e fatos contemporâneos: Com o realismo houve maior
estudo sobre o comportamento humano, denúncia ao abuso social,
discussão entre o indivíduo e a sociedade. Por isso, em razão de
se aproximar com a realidade, os temas também são de
acontecimentos atuais – o que causa maior aproximação com o
público.
-
Gosto pelo
detalhe mínimo: Cada composto em cena é visto sob o olhar crítico
de ser real ou, como no caso do realismo, não parecer falso.
-
Linguagem
coloquial, familiar e regional: Também em razão da proximidade com
o real – mesmo que na época de transição com o Romantismo
existam as grandes divas e outros atores que ainda declamam os seus
textos.
-
Excessiva
objetividade na descrição e análise dos personagens: Tal
descrição é a do ambiente e a da personalidade dos personagens.
Esses artifícios foram muito usados por Stanislavski a fim de
construir uma encenação que não pareça falsa.
- Diderot: o autor deveria se basear nas suas experiências vividas.
- Lessing: Temas atuais excluídos da tragédia.
- Influências da filosofia positivista de Conte, ou seja, o homem
com visão clínica, e das ciências histórico-sociais e naturais.
- Visão cruel do homem como resultado do cientificismo.
Autores
Como principais autores, pode-se citar:
-
Tchekhov: O
jardim das cerejeiras; A gaivota
-
Ibsen: Os
espectros; Casa de boneca
-
Tolstoi: A
força das trevas; O cadáver vivo
-
Gógol: O
inspetor geral; O jogador
Personalidades
Importantes
Como
principais nomes, pode-se citar:
-
Charles Kean:
Se destacou como diretor de montagens em Londres. Ele ficou
conhecido após sua livre articulação nos textos Shakespearianos.
-
Sarah
Bernhardt: Ganhou fama em Paris. Tanto é que, após interpretar
Teodora, foi levada ao Odéon. Ela não representou apenas os
românticos, mas também as peças de Racine. Tal característica
fez com que ela representasse variados estilos de atuação.
-
Laube: Se
destacou na Alemanha. Ele voltou a sua arte à audição e mente.
Para isso, Laube propôs um cenário sem detalhes. Com isso, o
público não distraía.
-
Franz Von
Dingelstedt: Era o diretor do Burgtheater e tinha os melhores
cenários e elenco.
-
George II:
Foi um grande amante do teatro. Ele mesmo desenhava os cenários e
os figurinos. Baaseado nisso e nas leis de Boileau, ele procurava o
contrário, ou seja, a assimetria em que o centro do cenário não
deveria se assemelhar ao do palco. O seu grupo, conhecido como
Meininger, tinha os melhores atores e cenários. Além disso, todos
os papéis eram importantes, inclusive os mudos.
Duque de Saxe-Meininger – Jorge II (1826 – 1914)
Ele foi
considerado um grande amante do teatro – apesar de ser militar.
Tanto é que se casou com uma famosa atriz e elevou a Companhia de
Meininger que representava clássicos – como Shakespeare.
Primeiramente elas se apresentaram para a Corte, depois passaram para
os povos das regiões afastadas. Tais espetáculos tinham um elenco
fixo e outro de figurantes – contratados. O Duque desenhava
cenários e figurinos; na direção, era tudo do seu jeito. No
elenco, não havia grandes atores. Porém, pode-se falar em
assistência, como a de Chronegk (1837 – 91). Já que não havia
destaque no elenco, pode-se falar em conjunto, ou seja, a escolha dos
papéis era variável, não havia hierarquia – hoje representa o
papel principal; e no outro, um figurante.
Como não havia
ator central, há a valorização da composição cênica, ou seja, é
necessário haver uma dinâmica pictórica. Tal dinâmica é
destacada pelo uso de inspiração a partir de esculturas e mudanças
de planos para com um grande número de atore – sem existir foco
central. Essa dinâmica pictórica originou o Naturalismo, em que os
atores não “perceberão” que estão sendo vistos pelo público –
uso da quarta parece.
O Duque deixou de
lado a representação para apresentar coisas anormais: carne crua,
cavalos empalados,...
No caso dos
ensaios, eles eram numerosos e compostos de vários artifícios
sensoriais – audição, visão.
Já os cenários,
apesar de existirem, eram menos valorizados que o trabalho do ator –
o que proporciona maior dinâmica cênica. Outro caso é a proibição
da proximidade de ator com o telão. Caso houvesse, poderia denunciar
as “anormalidades” denotando a falta de realidade.
Os acessórios
deveriam ser proporcionais ao ator e , se possível, verdadeiros.
Para isso, buscavam-se eles em ferros velhos, pois era muito
valorizada a reconstrução histórica. E para melhor domínio deles,
os atores devem usá-los desde o primeiro ensaio.
Valorizava-se a
assimetria cênica, ou seja, caso fosse simétrico, haveria uma vista
superficial.
Os atores devem
deixar o centro do palco e partir para outras dimensões a fim de
usar vários planos.
Em 1866, Chnonegk
entra para a companhia como ator cômico. Nela há 70 membros, sedo
que há uns 200 contando com os contratados. Ao todo foram montadas
16 peças.
- A inspiração
para montar o grupo foi após assistir ao “Mercador de Veneza” de
Charles Kean.
- Destaque aos
figurinos e jogos físicos.
- “Suscitar a
mais intensa ilusão possível da realidade”.
- Não estrelismo.
Stanislavski
- “Actor Studio”:
introduziu o método de Stanislavski nos EUA.
- Lênin protegeu
Stanislavski do povo pró-prolekult – que eram contra o teatro
feito por ele. Já Stalin, ele impôs o método de Stanislavski aos
estudantes.
- “Círculo
Alexeiev”: grupo de teatro amador de Stanislavski em sua
adolescência.
- Atores: Salvini,
Rossi, Duse.
- O Teatro de Mali
introduziu a formação do ator.
- Ele se inspirou em Messinger após assistir a varias peças suas.
- Os ensaios
começavam sem atrasos.
- Os papéis não
são criados para um ator, ou seja, pode ser representado por
qualquer um.
- Os telões são
pintados tridicionalmente com o uso da perspectiva.
- Os cenários eram
trocados de um ato ao outro, pois não havia prismas giratórios.
- Stanislavski dizia que deveria haver fidelidade ao dramaturgo. No
entando, ele não o fez quando percebeu que faltavam as ações
físicas.
- Os contos de Tchekhov tinham o lado perceptível pelo
leitor e aquele que precisa ser analisado, ou seja, semelhante a
Freud: o oculto e o aparente. Em razão disso, os contos dele são
conhecidos como: "Contos Modernos".
- Stanislavski monta
as peças de Tchekhov a partir das falas dos personagens ao invés da
rubrica.
- Mudança dos textos e da atuação com o uso do
subtexto.
- O ator cria o subtexto; e o autor, o texto.
-
Realismo externo: texto do diretor que é dado prontamente ao ator.
-
Matar o teatro dentro do teatro era o que Stanislavski propunha, ou
seja, fugir dos clichês buscando o novo.
- Stanislavski não se
restringiu ao realismo e naturalismo, ele fez tudo à sua maneira.
-
Teatro simbolista: sugerir ao invés de mostrar; ao contrário do
realista que é cheio de objetos.
- O simbolismo busca uma
cinestesia, ou seja, a composição dos senidos.
- Ao montar
Maeterlinck, ele põe aspectos realistas em cena buscando a
realidade.
- Stanislavski ambienta as peças de Tchekhov para
sugerir o silêncio, até por meio do som. Além disso, preenche o
cenário com móveis e demais objetos.
- O teatro deixa de ser
popular para sustentar o artista.
- O público sente-se espelhado
em seus espetáculos.
- Chega com a peça pronta para impôr as
suas ideias.
- Nicolai Evreinov: Teatralidade > Teatralista: Se
opões ao realista, ou seja, mostra que fez teatro > Estilo
Brecht.
- Meyerhold também é teatralista.
- Evreinov propôs
espetáculos semelhantes aos mais antigos: Commédia dell'Arte,
Medieval, Século de Ouro Espanhol,...
- O TAM permite a
experimentação em sua escola.
- Ele chega com tudo pronto em
razão dos atores não estarem prontos para atuar nessas peças de
Tchekhov.
- Dantchenko traz a ideia de memória afetiva antes de
Stanislavski.
- Psicotécnica: "Se" mágico + memória
afetiva de Stanislavski.
- A ação física é desenvolvida
através do ritmo. E isso é dado do exterior ao interior. O que é o
inverso da memória emotiva.
- Um teatro mesclado com literatura.
- A busca do místico e da
natureza.
- A parceria de Stanislavski com Dantcheko durou 40
anos.
- Deixaram de lado as teorias, como as de Marx.
- As
bebidas eram proibidas e teria de haver comprometimento.
-
Inicialmente a imprensa duvidava de sua capacidade. Porém ele ergueu
vários atores à fama.
- "O Czar Fiodo Iannovich" de
Tolstói foi a primeira produção. Foram feitos 74 ensaios. Além
disso, a peça passou pela censura, porém era considerada perigosa
por mostrar a fraqueza do czar. Já os atores, eles viajaram para
diversos locais para tornarem a encenação realista ao entrar
naquela época. Assim, o resultado foi satisfatório.
- Após um
tempo, as produções foram negadas e o teatro passou a ser vigiado.
A situação mudou quando decidiram montar Tchekhov.
- Devido ao
sucesso de "A Gaivota", o símbolo da TAM é uma gaivota
até hoje.
- Lênin frequentava a TAM, o que começou a ser vista
como de esquerda e Dantchenko passa a ser perseguido.
- Tolstói
era o escritor mais renomado da Rússa.
- A Primavera de 1900, em
Yalda, reuniu vários artistas russos.
- Tchekhov e Górki
escrivam para o TAM.
- "The Snow Maiden": Mais de 100
ensaios, porém a peça ficou em prejuízo por causa do excesso de
investimento e mau retorno perante ao público.
- Franz Cheptel
construiu um novo TAM para Stanislavski. Havia iluminação, palgo
giratório,...
- Morosov foi comprando partes do espetáculo,
auxiliado por Górki.
- Stanislavski dirigiu a encenação com uma
estética cinematográfica em "O Jardim das Cerejeiras" de
Tchekhov. O resultado foi um sucesso. Porém, Morosov morreu uns dias
depois.
- Com o tempo, Stanislavski e Dantchenko começaram a se
estranhar, Meyerhold deixa o TAM e alguns autores falecem =
Crise.
- Meyerhold fazia estudos de espetáculos simbolistas.
Stanislavski também fez um espaço para que ele ensaiasse.
Stanislavski e o Teatro de Arte de Moscou
O realismo
dá importância ao mundo interior dos personagens com foque na
intersubjetividade a partir da experiência sensível, emoções e
sentimentos pessoais do ator. Com isso, a aproximação com a
dramaturgia de Tchekhov proporcionou tal “estudo da alma”.
Tchekhov começou
escrevendo farsas e vaudevilles para expor as viadades e tolices
humanas. No princípio, ele não era forte no ramo teatral. A
situação mudou a partir da peça “Ivanov” que mostrou o típico
anti-herói tchekhoviano: ocioso, supérfluo, que não age,
prematuramente envelhecido, entediado e desiludido, ou seja, o
verdadeiro desenho do homem daquela época. “Ivanov” tem ação
centrada no personagem principal. Além disso, apresenta caráter
melodramático ao finalizar com uma quase moral.
Outras
características a serem destacadas são os intervalos e pausas,
detalhes importantes, conversas com tom lírico, diálogo solto, não
há sequências lógicas e há situações com revelações
psicológicas. Além disso, há o subtexto e a ocultação do sentido
– liberdade ao espectador para interpretações próprias.
Tchekhov, também, rejeita os velhos hábitos e busca novas formas.
Um meio é a partir de diálogos. Outra situação é de que os
ocorridos trágicos não eram mostrados em cena, nem comentados, mas
a partir da encenação cênica. E não se deve esquecer de citar o
uso da quarta parede.
Inicialmente, após
o fracasso e os comentários do público sobre “A Gaivota”,
Tchekhov começou a duvidar de sua capacidade como escritor e quase
desistiu de sua carreira. Até Stanislavski começou a entender e
gostar das suas peças aos poucos por causa dos excessivos
comentários de Dantchenko.
O meio de trabalho
de Stanislavski era diferente, pois ele não analisava o interior dos
personagens, ou seja, preocupou-se mais em suas ações externas.
Porém, usa os silêncios que denotam a ação interna deles. Para
aumentar o efeito, os preenche com músicas e feitos sonoros criando,
assim, gradações climáticas.
Os ensaios eram
documentados a partir de relatórios feitos, principalmente por
Dantchenko. A partir deles, Tchekhov passou a assistir a alguns
ensaios. Com isso, surgiram momentos de tensão em razão de
inserirem elementos que não estavam presentes em cena.
Apesar disso, “A
Gaivota” proporcionou um impulso à companhia de Stanislavski a
propor um novo estilo: o Realismo – a partir do realismo interno.
Com os
financiamentos o Teatro de Arte de Moscou (TAM) conseguiu pôr
eletricidade, uma grande quantia de equipamentos cênicos, iniciar
obras e, principalmente, fugir da falência.
A segunda peça de
Tchekhov a ser encenada pela TAM foi “Tio Vânia”. Nela os
personagens estão presos nas suas ilusões e fraquezas. Além disso,
ela era considerada como a peça mais “tchekhoviana” do autor.
Já “As três
irmãs” não tinha herói central, mas era um “drama de
atmosfera” e de “estado de ânimo” que aproveitava para
criticar as condições políticas e sociais da Rússia naquela
época.
Andre
Antoine
O italiano se
destacou pelos cenários. De trabalhador de companhia de gás, passou
a fazer teatro amador pelas noites. Mais tarde, Antoine sai do grupo
em razão de o diretor não dar a possibilidade de montar peças
contemporâneas. Após isso, ele monta o “Thèâtre Libre”. Os
seus cenários não tinham telões, pois eram compostos de objetos
verdadeiros. Para ensaiar, ele consegue um espaço que ainda tem um
café, ou seja, não havia algo próprio.
A primeira peça
sua é “Em família”. Como não tinha renda, os móveis em cena
eram de seu pai.
Diferente de
Antoine, para Stanislavski o Realismo era poético, ou seja, não
deveria ser levado tão a fundo da realidade. Tanto é que nem ele e
nem o Naturalismo tinham um enredo linear – o que é semelhante do
teatro contemporâneo.
Sarah
Bernhardt (1844 – 1923)
- Iniciou no Teatro
Neoclássico, mas também passa pelos demais estilos de atuação.
- Ao tentar entrar
para a comédia, a “Divina Sarah” foi rejeitada por ter mais
aptidão pela tragédia.
- Ela era uma
pessoa excêntrica: dormia em caixões, era afeiçoada pela morte,
foi enfermeira em uma guerra – tanto é que aprendeu bastante ao
observar os doentes, como ao representar a morte em “A Dama das
Camélias”. Além disso, ela criava inúmeros animais silvestre e
sempre aceitava personagens que morriam no final da peça.
- A sua voz era
muito conhecida em razão de sua entonação. Por isso, foi conhecida
como “Voz de Ouro”. Muitas pessoas iam ao teatro para ouvi-la.
- Devido a um
acidente no Brasil em cena, Sarah perdeu uma perna.
- Sarah fazia muitos personagens masculinos – inclusive Hamlet.
- Ela é mais técnica que a Duse, ou seja, vivencia mais as
personagens.
Eleonora Duse (1858)
- Italiana, conhecida como Duse, é mais nova que Sarah e tem uma
maneira mais moderna de atuar. Duse se formou numa companhia
familiar, a Vigerano, que é de seu avô – que representava
Commédia dell’Arte.
- Estréia aos 7 anos com a farsa de 1 ato: “A Pequena Laureta”.
- Aos 14 anos, ela representa Julieta em Verona.
- Com a falência da família, Duse vai para outra companhia, a de
Brunetti, e atua, inicialmente, em papéis secundários.
- Ela se destacou por dar ênfase em frases sem importância, ou
seja, procurou mais em “ser” do que declamar os textos.
- Representou papéis juvenis e amorosos, como Ofélia.
- Duse representou Therese Raquin de Emile Zola – este dizia que
não se deveria ver o personagem, mas a pessoa em cena.
- Ela é o ideal para o teatro de Stanislavski.
- Para Duse, o ator deve observar com cuidado cada parte do texto,
cada fala.
Relação
entre Duse e Sarah Bernhard:
- A diferença
de atuação entre ambas proporciona maiores oportunidades de peças
para o público comparar.
- Esse teatro naturalista existe junto
ao simbolista.
- O Romantismo proporciona o surgimento dos demais
"ismos".
- Théâtre de l"Ouvre: Monta espetáculos
simbolistas franceses.
- Duse não chamava a atenção como atriz,
por isso o público não era tão chegado em sua atuação. Eles
estavam acostumados com as grandes divas. Apesar disso, ela iniciou
um novo estilo de atuação.
- Duse se inspirou nas peças de
Sarah, porém as montou da sua maneira.
- O dramaturgo era mais
importante, mas ele acabava perdendo o poder quando surgiam as
grandes divas.
O
Realismo Socialista na Rússia
- Peças como
plataformas de leitura para elevar a consciência intelectual das
massas, mas sem excessos e com cunho realista.
- Todas as obras
devem ser informativas e propagandistas a fim de desenvolver a
formação espiritual e educacional no conceito socialista.
- É mais importante
o resultado que a teoria.
- Havia mais de 650
teatros espalhados pela URSS, e neles se apresentavam, anualmente,
vinte peças.