segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Teatro Espanhol


- É engajado com o Barroco Espanhol.
- O Barroco era conhecido como “Pérola Barroca”: Irregular.
- Uso do Conceptismo – simplificado e com o uso de paradoxo e elipse – e do Ocultismo – complexidade sintática.
- Exaltação do religioso – bem visto pelas autoridades.
- É o barroco com recursos retóricos.
- O público é quem paga para fazerem os espetáculos.
Contexto Histórico
A Idade de Ouro no Teatro – Siglo Del Oro Español:
- Invasão dos mouros no século VIII causando conflitos religiosos com problemas na unificação espanhola, mas que auxiliaram no contato com as artes orientais.
- Conflitos religiosos internos – alguns perduram até hoje.
- Expulsão dos mouros e conquista do continente. Por não conseguirem expulsá-los por completo, formam uma cultura híbrida em que o norte é composto pelos Celtas (ciganos) vindos da Irlanda e dos Países Baixos; e o sul pelos árabes.
- Unificação Espanhola em 1492.
- Os árabes não conquistam o norte por causa do clima frio e de montanhas, o sul é mais fácil em razão de ter áreas planas e temperatura elevada.
- Cruzadas: “Ocidente” se expandindo e expulsando os árabes.
O auge do poder espanhol:
- Expansão marítima e conquista do continente americano.
- Carlos V: Levou Cortéz e Bolívar para conquistar a América espanhola.
- Domínio sobre Países Baixos e territórios alemães e italianos.
Decadência do Império Espanhol:
- Batalha Naval de 1588 contra Inglaterra e França em que a Espanha perdeu grande parte do seu poderio econômico.
- Perda dos Países Baixos em 1609.
- Início do século de ouro na literatura e arte.
- Inquisição é maior na Alemanha que na Espanha, pois lá eles resolveram eliminar os luteranos.
Teatro Espanhol antes do Século de Ouro:
- Teatro Medieval: semelhante a outras regiões da Europa
- Relação entre teatro espanhol e inglês: moralidade e carros alegóricos
- Trupes ambulantes e autos sacramentais
- Teatro profano: jogos de escárnio – “sem religião”
A posição da Igreja Católica:
- Igreja agregando poder e influência
- Decreto de 1473: Proibição do teatro em igrejas
- Perseguição aos atores: em geral, eles não eram o alvo. Como exaltavam o Clero e o Absolutismo nas peças, os “grandes” não os proibiam de nada. Apenas eram perseguidos caso fizessem alguma peça muito profana.
- Carlos III: fim dos autos sacramentais.
- Teatro exclusivamente elitista.
Semiótica
Estrutura Cênica:
- Sul=Teatro em pátios e hospitais – pobres, presença de árabes. Norte=Teatros em curral, becos e hospitais – ricos.
- Comédia = Teatro espanhol do século de ouro.
- Almagro, Corral e Teatro Del Príncipe são tipos de Teatro Físico.
- Aberturas embaixo para a apresentação de personagens das profundezas das trevas.
- Lugares e bancos vendidos além da cobrança de ingressos. O valor do ingresso variava de acordo com a presença ou não de pessoas importantes – mais caro. Os proprietários dos pátios aproveitavam e cobravam o aluguel do local. Havia empresas que arrecadavam esse dinheiro e metade dele era dividido e destinado a instituições.
- Os locais variavam de acordo com o sexo e a classe social. Os nobres ficavam em camarotes e mais a frente. Os homens mais pobres, conhecidos como Mosqueteiros, ficavam ao fundo da plateia. Tanto poderiam ficar em pé, como sentados. Eram distanciados do palco, pois faziam barulho em demasia e levavam alimentos para jogar nos atores caso algo os desgostasse. Cazuelas=lugar para as moças. Aposentos=Janelas abaixo. Desvanes= Janelas acima.
- Não havia proscênio. Janelas para a atuação com cortinas – havia esta ao fundo do palco. Não havia telas nem cenário. Várias portas para os atores entrarem. Havia um balcão na parte superior para a atuação dos personagens como o galã e a dama.
- Espetáculos abertos que ocorriam durante o dia pela falta de tecnologia. A iluminação a velas só chegará com os teatros mais estruturados de Lope de Vega.
- O diálogo era descritivo e a fala simplificada. Como não havia cenário, a movimentação do ator era mais valorizada.
- “Teatro de Almagro”: Preservado e reservado. O único que “sobreviveu”. -Fazem-se festivais lá. É o “Teatro de Epidauro Espanhol”. É conhecido como Teatro Corral de Comedia.
- “Teatro Del Príncipe: Teatro frontal. Não possui mais as características espanholas.
Personagens
- Sem fundos psicológicos, mas com funções fixas, características humanas gerais e reconhecimento com o povo.
- Galã e Dama: Intriga amorosa e casamento.
- Criado e criada: Servos que ajudavam o galã e a dama para um final feliz.
- Criado=Gracioso: Bobo e braço direito do galã. Sonhava em se casar com a criada da dama.
- Padre: Figura de maior responsabilidade depois do rei.
- Rei: Juiz supremo que resolvia todos os conflitos, distribuía a justiça e protegia os súditos.
- Villano e Labradernico: Classe social popular, ele defendia a sua própria honra – característica espanhola – e aquela vista pelos outros. Era um personagem de oposição. Gerava o conflito de ordem moral ou se apaixonava pela mesma donzela que outro personagem. Opõe-se ao herói.
- Personagens secundários como reflexo da diversidade social: soldados, mouros, judeus, estudantes.
Autos Sacramentais:
- Ainda é presente, pois é apresentado nos feriados de Corpus Christi com procissões de carros – isso ainda existe na Espanha.
- Era constituído de um ou mais atos derivados de episódios bíblicos, mistérios da religião ou conflitos morais ou ideológicos.
- Eles ganharam as ruas com as procissões onde se misturaram a outros tipos de representações durante os intervalos das peças.
- “El divino Orfeo”.
- A parte mais importante da cena é a representação.
- Encenações paralelas.
- Divino Orfeo representando o “Salvador”.
- “La Roca” – Carro carregado por 12 homens.
- É mais difundido por Calderón e Lope de Vega.
- Temas variados, mas com atenção à honra.
- É uma mescla do trágico com o cômico.
- Teatro popular e humanista – uma das características de Lope de Vega.
- Comédia de “Capa y Espada” e Comédias na “Corte Y Escuela” – nobreza.
- O diabo era representado por um mouro ou pirata.
- Era proibido por ser profano.
Zarzuela:
Peça musical; diálogo falado, canções, coros e danças. Apresentada no palácio real. “El golfo de sirenas” (1657). Era uma ópera menor.
Figurino
- Evolução do figurino com a do siglo de oro.
- Babado, exuberância, volumes. Roupas de época.
- Exceções no figurino quando se representava um maometano.
- Penteados relacionados com a posição social. Uso de tranças. O cabelo da criada não era visível.
Ator
- Em grupo e individual percorrendo o país com os seus trajes e materiais cênicos.
- Grupos: Biluhú – sozinho –, gangarilla, cambaleo, garnacha, bojiganga o mojinga, farúndula e compañia – mais de 30 integrantes.
- Mulheres poderiam participar e serem populares. “La Calderona”=Amante do rei que virou abadessa no convento.
- Valores da sociedade: honra, bravura e virilidade.
- Interesse do público por duelos e ação. “Comédia de Capa y Espada”.
- Manutenção da posição de fidalguia dos autores.
- Touradas com ênfase nos valores sociais, principalmente na honra.
- Presença de Reis Absolutistas e membros do Clero em peças a fim de difundir os valores absolutistas e cristãos para que não desfavorece os atores e não perder a fidalguia.
- Teatros anunciados em cartazes.
- “Teatro é vida”, ideologias.
- Temas épicos, medievais, vida diária e religiosos.
- Compromisso com a dignidade e liberdade humana
- Os atores eram financiados e traziam a aristocracia.
- Peça de curral em que um ator fala o texto e representa. Peça culta e cômica. Elas ocorriam de pátio em pátio.
Recepção
- O povo amava o teatro por completo.
- Cenas de ação, heroicas, dramas poéticos e comédias inspiradas nas lendas e história da Espanha.
- Atiravam frutas nos atores caso não gostassem de algo.
- Capa y espada como identificação cultural.
Dramaturgia
- 2ª metade do séc. XVI até a 1ª metade do séc. XVIII.
- Grandiosidade na força da palavra poética.
- Honra e outras peças voltadas à Cristandade.
- O povo se exibia: capas, touradas e toureiros.
- Novela picaresca (exalta a honra, é elitista), de cavalaria e de cortesã.
- A tragédia pura não existia na Espanha.
- Troupes ambulantes + antiguidade + Cristianismo
- A comédia era toda aquela peça dividida em 3 atos.
Lope de Vega (1562 – 1635):
- Introduziu a tragicomédia, ou seja, a mistura dos gêneros trágicos e cômicos.
- Valorização da mulher em cena.
- Institui a Comédia de Capa y Espada onde há um conflito de honra entre os nobres.
- Dominava o Siglo de Oro, tanto é que os autores são classificados como Pré-Lopistas e Pós-Lopistas.
- Peças bem estruturadas.
- Começou a escrever peças aos 13 anos. Escreveu sonetos sacros, pasos (farsas) e armadas.
- Usou apenas a unidade de ação da Poética, pois considerava impossível usar as demais em razão da impossibilidade de ocorrer uma ação em 24 horas. Além disso, pode-se destacar o uso da verossimilhança em que a ação é concentrada, ou seja, havia a história de 3 ou 4 personagens.
- Escreveu 400 autos, 1800 comédias, 470 remanescentes.
- Era conhecido como “O Fênix”.
- Ressurreição da Poética de Aristóteles: “El Arte Nuevo de Hacer Comedia em este tiempo” (1609).
- Não há cenário, mas o movimento dos atores.
- Escreve também tragédias históricas.
- Não há uma tragédia, pois não há uma verdade absoluta.
- Exaltação da coragem e orgulho espanhol. Nacionalismo.
- As suas peças não têm uma classificação exata.
- Usou a sua mulher em determinados personagens secundários.
- Fez um teatro proletário conhecido como “Fonteovejuna” (1604).
- Dividiu a obra em 3 atos: apresentação da trama, desenvolvimento e desenlace; ruptura da unidade de ação, tempo e lugar; “Nova Poética do Barroco Espanhol”. Aristotélico, mas com rupturas.


Pedro Calderón de La Barca:
- Amor, honra e poder como temáticas.
- Origem aristocrática. Peças completamente adequadas ao palco. Honra à Igreja, nação e Rei como princípio da vida.
- Autos sacramentais e outras temáticas religiosas.
- Retomou Ésquilo, Shakespeare, Corneille e Goethe.
- Escreveu 80 autos sacramentais e 120 comédias.
Demais Autores:
  1. Miguel de Cervantes: Ficou famoso na literatura quando escreveu a novela de cavalaria “Dom Quixote de La Mancha”. “Comédia como espelho da vida”.
  2. Gil Vicente: Apesar de português, ele fez bastante sucesso na Espanha.
  3. Fernando Loja: Escreveu “La Celestina” conhecida também como “Histórias de Calisto e Melibéa” que foi o marco do desenvolvimento da prosa. É mais realista.
  4. Juan Del Encina: Escreveu odes ao casal real, éclogas (poesias pastorais) e poemas - “Más vale Trocar”.
  5. Juan de Cueva: Escreveu “O Difamador” conhecido por ser o Mito de Don Juan.
  6. Tirso de Molina: Gabriel Tellez foi um dos introdutores da Capa y Espada. Assumiu a técnica teatral de Lope de Vega – tanto é que foi seu discípulo. Desenvolveu o psicológico de seus personagens. Sátiras e comédias em conflito com a religião, ainda mais que havia comédias profanas. Criou “O Burlador de Sevilla”. O seu “Don Juan” é visto como o “árabe” que precisa ser expulso da Espanha.
  7. Lope de Rueda (1510-1565): Era ator, um artista ambulante, que influenciou a Commédia Dell’Arte. Criou a Entremez – obra curta e cômica, mas mais sofisticada. Era escrita e ensaiada. Apresentava-se entre dois atos de uma peça séria – e o Paso – interlúdio cômico, mas mais popular. Apresentava-se em feiras. Era grotesco e havia a tipificação de personagens.


Música
-Ganharam uma certa importância em alguns tipos de espetáculos. Destacam-se: Tomás Luis de Victória e Francisco Guerrero.
Dança
- Destaque para a Dança Flamenca.
- O flamenco é estruturado no século XIX, mas é caracterizado pela dança árabe. Nessa dança há uma distinção entre os pés (terra), valorizados pelos povos árabes do sul; e as mãos (cristandade) valorizados pelos espanhóis.
- Flamenco de Paco de Lúcia possui o maior guitarrista de flamenco. É destacado pelo ritmo marcado. Originou-se no sul da Espanha com a reconquista territorial dos Árabes.
Literatura
- Exalta o fervor religioso.
- Uso do Hendecassílabo (11 sílabas) nos versos das poesias.
- Novelas na prosa.
- Podem-se citar os seguintes poetas: De La Vecchia (Poesia lírica e sonetos), Juan Boscha (Poesia cortesã e popular) e Diego de Mendonza (Poesia popular e elitista).
- Versos em decassílabo.
- Literatura mística e teatro imperial.
- Narrativa com um realismo brutal.
- Uso da língua galega (português + espanhol). Hoje é a galega e o catalão como oficial.
- Reformulação da língua com a expulsão dos árabes a partir do Teatro em Castellano. Calderon e Lope usam uma linguagem popular, mas sofisticada.
- A gramática surgiu após a difusão dos espetáculos.
Pintura
- Relações opostas: luz e sombra, bom e mau, céu e inferno.
- Podem-se destacar artistas do Barroco Espanhol: El Grego – com características Maneiristas (detalhes) e, também, é semelhante a Salvador Dalí (de tão realista, torna-se surrealista–, Velasquez e Murilo).
Arquitetura

- Podem-se citar as seguintes construções: “Plaza Maior”, “Catedral de Granada” e “Castelo de Carlos V”.

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