segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Teatro Grego

Períodos
  1. Primitivo: Ditirambo
  2. Arcaico (750 – 500 a.C.): Evolução do Ditirambo – Árion
  3. Período Clássico Grego (500 – 323 a.C.): Ésquilo, Sófocles e Eurípides
  4. Helenístico (323 – 31 a.C.): Conquistas de Alexandre, o Grande com mesclas orientais.
  5. Romano: Dominação romana
Origem
Há inúmeras histórias sobre a origem do Teatro Grego:
  1. Ditirambos: o primeiro é sobre um ritual que faziam em homenagem ao Deus grego Dionísio. Acredita-se que faziam uma espécie de procissão circular pedindo e agradecendo para a fertilidade na agricultura. O povo vestia-se de sátiros (metade homem, metade bode) e comemoravam. Depois um ator passou a cantar a história de Dionísio, que posteriormente foi interpretado por um ator. Com essas histórias, criaram as competições.
  2. Carro de Téspis: essa é considerada a história mais provável. Conta-se que Téspis andava com uma carroça entre as regiões com uma máscara contando e interpretando histórias. Desenvolvendo o teatro.
Estruturas do Elenco
  1. Coro: de 10 pessoas das competições de Ditirambo, Árion acrescentou mais, deixando-a com 50 pessoas. Ao longo da história do teatro, o coro vai diminuindo, ficando em 4 na Comédia Nova. Nos espetáculos, ele vivia em constante movimento: cantavam e faziam coreografias. As suas funções foram diminuídas: Ésquilo deixara-o dinâmico; enquanto Eurípides, parado; até chegar a desaparecer na Comédia Nova com Menandro. A sua métrica era diferente da do protagonista. Usavam máscaras diferenciais – geralmente pinturas faciais –, mas não coturnos. Poderiam dialogar diretamente com o ator ou com o público.
  2. Coreuta: Era cada componente do coro. O primeiro coreuta a responder ao ator foi denominado de Hipócrites – Téspis.
  3. Corifeu: não pode ser considerado como o primeiro ator, pois cantava. Era alguém do coro que se destacava e interagia com o protagonista. O seu dialeto era mais “chulo”.
  4. Ator: O primeiro ator, que veio do Corifeu, era conhecido como Téspis. Usava um coturno – espécie de sapato elevado – para destacar-se do Coro. Não cantava, apenas falava.
Estrutura do Espaço
Os teatros mais famosos era o de Odeon a Heródes – mais voltado às apresentações musicais; o de Dionísio; Epidauro – existe até hoje e está reformado; de Delfos; e de Arfos.
  1. Período de Ésquilo: Ágora; Templo de Dionísio (onde faziam as oferendas); Theatron (Lugar de onde se vê = platéia); Orchestra (local onde ficava o coro); Tímele (Altar de sacrifícios - cabras e porcos).
  2. Período de Sófocles: Proskenion (plataforma elevada onde se passava a ação; o coro não poderia subir lá); Pinakes (cenário – passaram a ser pintados na época de Sófocles); Periactos (Prismas giratórios para trocar o cenário); Ekkyklema (plataforma utilizada para mostrar as cenas internas ao público – era proibida a amostra de barbáries, o que era diferente da cultura romana).
  3. Helenístico – Alexandre, o Grande: Teatro fechado com portão; Proskenion-Logeon (plataforma elevada onde os atores atuam – NÃO é o palco, é o “segundo andar” usado nas comédias); 3ª galeria para a platéia; coro é abolido; Tyromatas (aberturas na parede da skene; Theologeion (espaço alto para as divindades aparecerem); kekrides (divisões das partes da platéia: nobres > cidadãos > mulheres >escravos); Parodoi (portões de entrada do público: estrangeiros e cidadãos por lados contrários); Degraus de Caronte (não sabe-se onde ficavam, mas diz-se que era no subsolo e levava ao palco – usado como caminho para os “seres subterrâneos”); Paraskenia (espaços laterais da skene que servem para mostrar lugares diversos de cena).
O palco é de tábuas, sobre uma armação de alvenaria, e o cenário é fixo, com três portas: a do palácio, no centro; a que leva à cidade, à direita; e a que vai para o campo, à esquerda. Essa estrutura de palco permanecerá até o fim da Renascença. Na fase áurea, teatros, como o de Epidauro, perto de Atenas, já são de pedra e situam-se em locais elevados, próximos aos santuários em honra a Dionísio.
Dos teatros da Antiga Grécia alguns dos mais importantes são o Teatro de Epidauro, o Teatro de Dodona, o Odeon de Herodes Ático, o Teatro de Delfos, o Teatro de Segesta, o Teatro de Siracusa e o Teatro de Dionísio.
Máquinas
  1. Bronteion: Máquina sonora para fazer trovão.
  2. Karaunoscopeion: Máquina iluminadora de metal polido.
  3. Mechané: Mecanismo de voo; encontrava-se dentro da skenotheke (local onde ficavam as máquinas).
Tragédia


Seu ápice foi com Péricles que investiu bastante no teatro. Ocorreu a guerra contra os Persas, onde Atenas vence a batalha. Criou-se a Liga do Peloponeso (ligação de polis a fim de fortalecimento contra estrangeiros). Esparta vendo o poderio de Atenas provocou a Guerra do Peloponeso, causando o destroço da primeira. Os espetáculos eram financiados pelos corégios. A ação no palco é mínima, concentrada. Não se expunham ações violentas. O mito contado já era conhecido do público, assim, o importante era como o poeta o contaria. Não existia a evolução de personalidades individuais ou de conflitos pessoais. Todo o representado deveria servir à maioria da população. Mensageiro e não Teicoscopia (visão através da parede, fora de cena), pois ele narra o que aconteceu. As odes surgiram a partir da festa dos nobres que convidavam os artistas; originou as agonísticas, a fim de celebrar os feitos dos atletas. No acompanhamento era preferível a flauta à cítara. Nunca houve mais que 3 atores – exceto em algumas peças de Aristófanes onde se encontravam 4. As Grandes Dionísias serviam para exaltar a riqueza da cidade e as suas opiniões.
Há as cenas de catástrofe, onde era proibida a demonstração de violência e atos grotescos; reconhecimento, tanto de alguém como algo, eis a cena de Édipo se reconhecendo como assassino do próprio pai e esposo da mãe; patética, sofrimento explícito, Electra em relação à morte de seu pai causado pela mãe dela; ágon ou enfrentamento de dois personagens, Édipo X Tirésias.
As peças, segundo grandes estudiosos da arte dramática como Martin Éslei, Bertolt Brecht e o brasileiro Augusto Boal, tinham caráter coercitivo, primeiro porque toda a boa ventura construída pelo Herói se desfaz de maneira trágica, não só para o próprio, mas também para os seus (no mais das vezes). Assim, o cidadão médio era levado por processo de empatia a se identificar com o herói e com ele expurgar-se de todo mal, uma vez que a platéia, em termos psíquicos ligados ao fenômeno da empatia, morria com ele, mas uma vez expurgado seus males renascia para uma nova perspectiva de vida. E nesta outra vida, pós-drama, jamais poderia querer exercer, ou mesmo planejar, uma vida similar a do herói; em segundo porque o Estado trabalha na perspectiva de valorizar fatos heróicos, individualizar ações em contraponto às ações de âmbito coletivo que é danoso ao status quo dominante.
Temáticas:
  1. Mitologia grega;
  2. Conflitos entre o homem e o universo, questões do comportamento humano;
  3. Acontecimentos aterrorizantes: incesto,...;
  4. Destino trágico;
  5. Humano/Divino;
  6. Choque entre ethos e dáimon;
  7. Oposições temáticas entre poder, saber e querer: O personagem quer algo, mas sabe que não pode. Porém, o seu instinto faz com que ele sinta que pode. Faz e é castigado.
Objetivos:
  1. Retratar a vida ideal do cidadão grego;
  2. Representar o sofrimento e a nobreza das ações humanas;
  3. Exaltar aos Deuses;
  4. Purificar as emoções do público (catarsis) através da piedade e do terror.
Autores da Tragédia:
  1. Ésquilo: Primeiro grande autor grego. Era soldado (combateu na Batalha de Salamina). Ele mesmo interpretava as suas personagens. Suas peças tinham um “quê” político. Transformou o silêncio em texto dramático (“Os Persas”). Dinamizou o coro. Diminuiu o número de Coreutas de 50 (Ário) para 12. Criou cenários móveis e o 2º ator. Aperfeiçoou as máscaras para que elas pudessem ser postas no rosto. Usou o 3º ator (Criado por Sófocles). Desenvolveu as máscaras (mais expressivas) e calçados (maior altura aos coturnos). Aumentou as partes representadas pelos atores. Falava sobre os mitos dos Deuses. Divindades muito reverenciadas. Preocupou-se com o poder e estrutura da sociedade do que com o humano. Trilogias interligadas. Investigando o problema do sofrimento humano em sua última trilogia, Ésquilo chega à conclusão de que é o mal no homem e não a inveja dos deuses que destrói a felicidade. Sobraram apenas 7 obras suas. As mais famosas são: “Prometeu Acorrentado” e a Trilogia “Oréstia”.
  2. Sófocles: É considerado como o maior tragediógrafo de todos. Era jovem enquanto Ésquilo batalhava em Salamina. Retirou dinheiro das tropas para dar ao teatro. Glória aos deuses – principalmente à Atenas. Estoicismo (o único bem do homem é a virtude). Conduz a cena ao horror trágico final. Criou o 3º ator. Aperfeiçoou o cenário – pintando-o e movimentando a partir do sistema de trocas dele. Rompeu o costume de trilogias que se ligam, passando a ser desconexa. Divindades pouco reverenciadas. “Nada em excesso”. O coro passou de 12 para 15 para que fizessem movimentos lineares e triangulares. Mascarás com expressões maiores e com mais detalhes. Duas origens de sofrimento: paixão e moira: a paixão era como uma desmedida, pois o personagem entrava em estado de fraqueza; a moira é o destino trágico, irreparável. Personagens nobres e da realeza. Foi o grande vencedor das Competições. Herói: acredita ter poderes divinos (Deus); age como um animal (Besta); sabe que vai morrer (Humano). Há dois tipos de sofrimento em suas tragédias - aquele que advém de um excesso de paixão e aquele que brota de um acidente. O mal produzido pelo homem é formado no molde fixo do caráter humano e o acidente decorre da natureza do universo. Embora Sófocles aceitasse oficialmente os deuses gregos, estes não afetavam sua filosofia. Sobraram 7 obras. As mais famosas são: “Antígona”, “Electra” e “Édipo Rei”.
  3. Eurípides: Foi criado para ser atleta. Era o mais zoado de todos os tragediógrafos, pois escreveu para o povão. Vivia recluso em sua caverna. Não interpretava. Abusou da filosofia e eloquência, permitindo a passagem do antropomorfismo de homem à espiritualidade de Platão. Sentimentos e ideias mais importantes que os atos. Sofismo (argumenta uma mentira que passa a ser verdade) sendo atacado por Aristófanes. Protege os fracos e oprimidos. Ele colocou as mulheres como personagens destaque. Restaram 18 peças. As mais famosas são: “Medeia” e “As Fenícias”. O único drama satírico que sobrou é o seu: “O Cíclope”.
Estrutura da Tragédia:
Seguia a estrutura Aristotélica. Geralmente tinha 5 episódios.
  1. Prólogo: Introdução. Conta-se o mito.
  2. Párodo: Entrada do coro.
  3. Episódios: Ação.
  4. Estásimos: Intervenções do coro que separam cada episódio.
  5. Êxodo: Saída do coro.
Comédia
Considerada inferior à tragédia, originou-se do Cosmos – rituais em favor à fertilidade onde ocorriam “carnavais” com pessoas fantasiadas de animais. Outro foi a partir dos mimos, que eram esquetes improvisados. Era pagã em comparação à religiosidade da tragédia. O coro vestia-se de animais.
O maior autor foi Aristófanes: Opõe-se a tudo: políticos, antigos dramaturgos (principalmente Eurípides). Defendia os oprimidos do poder. O coro incita o “querer” do protagonista. O seu coro era de acordo com o título da obra: em “As rãs” havia um coro de rãs. Dominava a ligação dos elementos (apólogo, fábula, e quadros da comédia). Criou a comédia política. Sobraram 11 obras. As mais famosas são: “As nuvens”, “As aves”, “As rãs” e “Lisístrada”.
A sua estrutura era:
a) Prólogo: Introdução.
b) Párodo: Entrada do coro.
c) Ágon: disputa de pontos de vista entre duas personagens.
d) Parábase: o coro para e vira-se ao público para discutir algo sobre a sociedade.
e) Episódios: Ação
f) Êxodo: Saída do coro.
Comédia nova (Néa)
Ideal da família. Personagens-tipo. Ênfase no homem e no amor. Guerra do Peloponeso e fim da coregia com início de investimento do Estado. Não há mais párodo, ágon e parábase. Coro passa de 24 a 8 coreutas e não intervém na ação. Sátira e volta à mitologia com Paródias (comédia nova). Sátira de costumes e condições sociais. Vida privada – diferente da Antiga: vida política e social. Linguagem simples. Personagens violentos e passionais. Conflito de gerações e classes – além do amor impossível. Tom burguês. Ideais Aristotélicos. Inspirou o Teatro Romano.
Seu maior escritor foi Menandro: Ateniense representante da burguesia aristocrática. Sua obra é considerada stataria (ação lenta, poucos incidentes, econômica). Não usa gírias, nem pornografia. Escreveu 107 comédias, tendo apenas 8 vitórias. Dyskolos (O Misantropo) – obra inteira, papiro do séc. III d.C. (1959). Não menciona presença de coro. Epitrépontes (A Arbitragem) – 750 versos. Escreve sobre amor. “O Citarista”, “O Herói,” “O Espectro”, “A Mulher de Samos”, “O Camponês”, “A Mulher de Cabelos Cortados”, etc.: fragmentos.
Competições
O tirano Psístrato organizou as primeiras competições. No primeiro volume da Arte poética, Aristóteles formula as regras básicas para a arte teatral: a peça deve respeitar as unidades de tempo (a trama deve desenvolver-se em 24h), de lugar (um só cenário) e de ação (uma só história). Pode-se citar as Lenianas, tragédia e comédia; e as Dionisas, tragédia.
Conhecidas como ágon, elas ocorriam durante uma semana inteira. No primeiro dia, conheciam-se os competidores; no segundo, procissão e provas ditirâmbicas; no terceiro, comédia; do quarto ao sexto, as tragédias; no sétimo, a premiação. A cada dia era mostrada uma trilogia trágica + um drama satírico. Os jurados passaram de oficiais ao público. O vencedor ganhava uma coroa de louros e cordeiro. O segundo colocado, ao invés de cordeiro, recebia 100 latas de azeite. Na comédia, ao invés de cordeiro, recebiam vinho. As mulheres eram proibidas de assistir às comédias e atuar. No último dia, elas poderiam fazer tudo o que não poderiam durante o ano – carnaval. Os atores eram muito valorizados. Na Comédia Antiga, a graça estava na crítica política; na Nova, nos personagens.
Máscaras
Os atores usavam máscaras. A primeira, de Téspis, era junto a um cajado e era totalmente branca. Após o tempo, foi se aperfeiçoando e feita para ser colocada no rosto. Elas tinham a habilidade de evocar a voz do ator. Cada uma representava um personagem. A diferença entre as de tragédia e comédia, é que as últimas eram grotescas, provocando o riso.
Figurino

Na tragédia os atores utilizavam uma túnica até aos pés, chamado quíton, e o coturno; na comédia usavam-se roupas próximas às utilizadas pelos cidadãos e calçavam-se sandálias. Só o ator usava coturno – a fim de ser diferenciado do coro. Colocavam enchimentos para tornar o personagem cômico. Rei e rainha usavam púrpura; adivinhos, cinza e bata Agrenon.

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