terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Melodrama Vs Romantismo

Os personagens do Melodrama e do Romantismo

O Melodrama e o Romantismo surgiram numa época em que o gênero teatral neoclássico era o predileto pelo público. Assim, com o seu nascimento, houve dificuldades para aceitar esse estilo tão diferente dos que o povo estava acostumado a presenciar. No entanto, o principal problema era em relação aos personagens. O espectador passou a estranhar o fato de esses papéis de classe social inferior estarem em cena.
A inserção de tais tipos não foi em vão. A época era de grandes mudanças socioeconômicas devido aos avanços tecnológicos e à ascensão da classe burguesa. Enquanto uns viviam confortavelmente; outros, o proletariado, tinham longas jornadas de trabalho. Por isso, com a ideia de retratar essa nova sociedade, houve maior identificação do público popular que passou a se interessar mais pela arte teatral.
Esse aumento de interesse fez com que os teatros lotassem e o Melodrama, e posteriormente o Romantismo, se elevasse como novo gênero teatral. Em razão disso, para assistir aos espetáculos, os melhores lugares na plateia eram adquiridos por aqueles que tivessem maior renda; já os demais eram disputados pelo povo em geral.
Como o público já se direcionava aos teatros, era crescente a empolgação para assistir às intrigas cheias de descobertas do Melodrama. Nelas os personagens eram caracterizados por serem tipificados, ou seja, era visível quem era o herói e o vilão. O primeiro era bom e puro, o que é o contrário do outro que é visto como o malvado da trama.
Apesar de ter características não tão apreciadas pelo espectador, o vilão era aquele que movimentava a história. Ele perseguia o herói e sempre sabia de algum segredo dele para comprometê-lo. Tendo consciência disso, antes de agir, era feito um discurso em que revelava todos os seus planos para o público. Sabendo do que está por vir, a plateia ficava torcendo para que algo interviesse. E isso geralmente acontecia devido à intervenção de algum outro personagem.
Esse aspecto pode ser comparado ao vivenciado pelos telespectadores de hoje enquanto assistem às telenovelas. O vilão, geralmente chama mais a atenção do público devido ao seu mau caráter e ao que arma contra o herói – originando um conflito para movimentar o enredo.
Além de suas atitudes, é importante ressaltar a sua aparência: rosto pálido, cabelos escuros, olhos cinzentos e uma voz sombria. Tais características, tipificadas, auxiliam para que seja ainda mais destacado o seu caráter nebuloso e possibilite maior envolvimento com o público.
O tipo de personagem que é mais perseguido pelo vilão é o feminino. Geralmente é uma mãe que, por algum motivo ou alguém, é separada de seus filhos. Esse conflito é um dos aspectos que desenvolvem o suspense no enredo do espetáculo. Tanto é que é ele que origina a principal característica do teatro melodramático, ou seja, a descoberta: a mãe, que procurou os seus filhos ao longo da história, os encontra; dois personagens se descobrem irmãos,... Já os homens são mais “caçados” em melodramas heroicos ou nos burgueses – quando são amaldiçoados pelo pai devido a algum erro grave cometido. A perseguição envolvendo casais apaixonados ou adultérios femininos só surgiu em 1815.
Já no Teatro Romântico não havia essa distinção entre bem e mal, e nem a tipificação de personagens. Eles eram caracterizados pela sua ambiguidade, ou seja, tanto os elementos bons e os ruins estavam presentes em sua essência. Era o tão conhecido “Sublime e Grotesco”. Margarite Gautier de “A Dama das Camélias”, obra de Alexandre Dumas Filho, é o exemplo clássico disso.
Na história, após Armand Duval se apaixonar pela cortesã, Margarite, os dois se casam e vão para o campo. Lá ela é totalmente diferente da mulher vulgar que era na cidade. Após um tempo, o relacionamento dos dois é criticado pela sociedade e finalizado quando ela decide o abandonar devido a um pedido feito pelo pai do rapaz que visava o bem deste.
A partir desses fatos, além da dualidade do caráter de Marguerite, pode-se analisar que o principal vilão não é um personagem em si, mas a sociedade. Ou seja, o herói não luta contra outra pessoa que o contrapõe, mas versus o mundo.
Além desses personagens, no Melodrama, há a figura cômica. A sua importância era tanta que, caso o retirassem do enredo, a peça poderia até fracassar. Em cena, ele faz comentários maldosos e provoca o riso da plateia ao se meter em situações que não consegue resolver. O seu lado humorístico também é demonstrado em seus nomes que tanto podem satirizar a sociedade, quanto descrever alguma característica ou vício dele.
O Teatro Romântico também possui personagens que ajudam no desenvolvimento da trama. Normalmente, eles são aqueles que auxiliam os protagonistas. Como na obra de Dumas, em que a criada e os amigos de Marguerite e Duval proporcionam a aproximação dos dois.
Assim, mesmo que as décadas tenham passado, tanto o Melodrama quanto o Romantismo influenciaram bastante na arte. O primeiro é muito usado no cinema Hollywoodiano e nas novelas. Aliás, é clara a tipificação dos personagens e a luta entre o bem e o mal. Já o outro promoveu a ascensão de diversas divas, como Sarah Benhardt que se destacou ao interpretar Marguerite em “A Dama das Camélias”.

A partir disso, os personagens desses dois gêneros teatrais podem ser considerados bem distintos, apesar do Melodrama e do Romantismo possuírem algumas semelhanças em cena. Mesmo assim, apesar do teatro ter se modificado com o tempo, eles ainda serão lembrados, e representados, por causa da sua essência e beleza.

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