Os
personagens do Melodrama e do Romantismo
O
Melodrama e o Romantismo surgiram numa época em que o gênero
teatral neoclássico era o predileto pelo público. Assim, com o seu
nascimento, houve dificuldades para aceitar esse estilo tão
diferente dos que o povo estava acostumado a presenciar. No entanto,
o principal problema era em relação aos personagens. O espectador
passou a estranhar o fato de esses papéis de classe social inferior
estarem em cena.
A
inserção de tais tipos não foi em vão. A época era de grandes
mudanças socioeconômicas
devido aos avanços tecnológicos e à ascensão da classe burguesa.
Enquanto uns viviam confortavelmente; outros, o proletariado, tinham
longas jornadas de trabalho. Por isso, com a ideia
de retratar essa nova sociedade, houve maior identificação do
público popular que passou a se interessar mais pela arte teatral.
Esse
aumento de interesse fez com que os teatros lotassem e o Melodrama, e
posteriormente o Romantismo, se elevasse como novo gênero teatral.
Em razão disso, para assistir aos espetáculos, os melhores lugares
na plateia
eram adquiridos por aqueles que tivessem maior renda; já os demais
eram disputados pelo povo em geral.
Como
o público já se direcionava aos teatros, era crescente a empolgação
para assistir às intrigas cheias de descobertas do Melodrama. Nelas
os personagens eram caracterizados por serem tipificados, ou seja,
era visível quem era o herói e o vilão. O primeiro era bom e puro,
o que é o contrário do outro que é visto como o malvado da trama.
Apesar
de ter características não tão apreciadas pelo espectador, o vilão
era aquele que movimentava a história. Ele perseguia o herói e
sempre sabia de algum segredo dele para comprometê-lo. Tendo
consciência disso, antes de agir, era feito um discurso em que
revelava todos os seus planos para o público. Sabendo do que está
por vir, a plateia
ficava torcendo para que algo interviesse. E isso geralmente
acontecia devido à intervenção de algum outro personagem.
Esse
aspecto pode ser comparado ao vivenciado pelos telespectadores
de hoje enquanto assistem às telenovelas. O vilão, geralmente chama
mais a atenção do público devido ao seu mau caráter e ao que arma
contra o herói – originando um conflito para movimentar o enredo.
Além
de suas atitudes, é importante ressaltar a sua aparência: rosto
pálido, cabelos escuros, olhos cinzentos e uma voz sombria. Tais
características, tipificadas, auxiliam para que seja ainda mais
destacado o seu caráter nebuloso e possibilite maior envolvimento
com o público.
O
tipo de personagem que é mais perseguido pelo vilão é o feminino.
Geralmente é uma mãe que, por algum motivo ou alguém, é separada
de seus filhos. Esse conflito é um dos aspectos que desenvolvem o
suspense no enredo do espetáculo. Tanto é que é ele que origina a
principal característica do teatro melodramático, ou seja, a
descoberta: a mãe, que procurou os seus filhos ao longo da história,
os encontra; dois personagens se descobrem irmãos,... Já os homens
são mais “caçados” em melodramas heroicos
ou nos burgueses – quando são amaldiçoados pelo pai devido a
algum erro grave cometido. A perseguição envolvendo casais
apaixonados ou adultérios femininos só surgiu em 1815.
Já
no Teatro Romântico não havia essa distinção entre bem e mal, e
nem a tipificação de personagens. Eles eram caracterizados pela sua
ambiguidade, ou seja, tanto os elementos bons e os ruins estavam
presentes em sua essência. Era o tão conhecido “Sublime e
Grotesco”. Margarite Gautier de “A Dama das Camélias”, obra de
Alexandre Dumas Filho, é o exemplo clássico disso.
Na história, após Armand Duval se apaixonar pela cortesã,
Margarite, os dois se casam e vão para o campo. Lá ela é
totalmente diferente da mulher vulgar que era na cidade. Após um
tempo, o relacionamento dos dois é criticado pela sociedade e
finalizado quando ela decide o abandonar devido a um pedido feito
pelo pai do rapaz que visava o bem deste.
A
partir desses fatos, além da dualidade do caráter de Marguerite,
pode-se analisar que o principal vilão não é um personagem em si,
mas a sociedade. Ou seja, o herói não luta contra outra pessoa que
o contrapõe, mas versus o mundo.
Além
desses personagens, no Melodrama, há a figura cômica. A sua
importância era tanta que, caso o retirassem do enredo, a peça
poderia até fracassar. Em cena, ele faz comentários maldosos e
provoca o riso da plateia
ao se meter em situações que não consegue resolver. O seu lado
humorístico também é demonstrado em seus nomes que tanto podem
satirizar a sociedade, quanto descrever alguma característica ou
vício dele.
O
Teatro Romântico também possui personagens que ajudam no
desenvolvimento da trama. Normalmente, eles são aqueles que auxiliam
os protagonistas. Como na obra de Dumas, em que a criada e os amigos
de Marguerite e Duval proporcionam a aproximação dos dois.
Assim,
mesmo que as décadas tenham passado, tanto o Melodrama quanto o
Romantismo influenciaram bastante na arte. O primeiro é muito usado
no cinema Hollywoodiano e nas novelas. Aliás, é clara a tipificação
dos personagens e a luta entre o bem e o mal. Já o outro promoveu a
ascensão de diversas divas, como Sarah Benhardt que se destacou ao
interpretar Marguerite em “A Dama das Camélias”.
A
partir disso, os personagens desses dois gêneros teatrais podem ser
considerados bem distintos, apesar do Melodrama e do Romantismo
possuírem algumas semelhanças em cena. Mesmo assim, apesar do
teatro ter se modificado com o tempo, eles ainda serão lembrados, e
representados, por causa da sua essência e beleza.
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